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Diabetes leva mulher à perda parcial da visão: “Não sabia controlar”



A jornalista Roana Mello vive com o diagnóstico de diabetes tipo 1 desde os 13 anos de idade. Aos 31, ela perdeu a visão do olho direito por conta do edema macular diabético, complicação que afeta quem tem a doença descontrolada. Porém, Roana seguia o tratamento orientado por um médico e não sabia que este era seu caso.


Ela já tratava a doença desde o ano 2000. “Minha mãe também tinha diabetes. Ela desconfiou quando apareceu o primeiro sintoma: uma sede que não passava nunca”, lembra.


Desde então, Roana se organizou para controlar a doença, mas tomava apenas a medicação de insulina basal. O remédio diário é capaz de manter os níveis de glicose no sangue em equilíbrio, mas não consegue deter crises pontuais, quando ocorrem os picos de glicose — nesses casos, é essencial que o paciente administre uma injeção emergencial.


Segundo ela, os médicos que a acompanhavam nunca explicaram a necessidade de monitorar a diabetes constantemente.


“Com uma instrução melhor, provavelmente eu não teria o problema do edema macular. Ou, se tivesse, seria mais simples de tratar, não tão grave quanto está atualmente. Minha visão hoje é parcial porque não tive educação em diabetes nos vários consultórios que frequentei”, afirma.

Como ocorreu a perda da visão?


Roana percebeu que algo estava errado com sua visão no final de 2016, quando ela começou a ver manchas pretas que apareciam e desapareciam no olho esquerdo. A jornalista teve que ir a três oftalmologistas até entender que o problema era causado por uma complicação da diabetes.


“Ela teve um edema macular diabético que leva a um acúmulo de fluido na região central da retina, conhecida como mácula, que é responsável pela visão central”, explica a oftalmologista Paula Roberta Ferreira Louzada, chefe do setor cirúrgico do Hospital de Olhos Santo Antônio, em Sergipe, e membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).


Além da condição, ela tinha tendência a ter descolamento de retina. Após o diagnóstico, que só veio um ano depois, Roana passou por uma série de tratamentos no olho esquerdo mas, em dezembro de 2018, ela teve uma infecção alimentar que reverteu todo o progresso.


“Durante as ânsias de vômito, senti que algo tinha acontecido no meu olho direito. Eu sabia que minha retina tinha descolado. Fiquei desesperada de medo ao saber teria que fazer uma cirurgia de emergência para tentar salvar a minha visão”, lembra.

A jornalista passou por vários tratamentos no olho direito, incluindo a inserção de gases e de silicone dentro do olho para tentar contornar o problema. Entretanto, a visão acabou sendo totalmente perdida, além da íris ter passado por uma descoloração que a tornou mais clara.


“Chorei muito quando soube que já não havia mais o que fazer para que eu recuperasse a minha visão. Foi muito difícil me acostumar com as dificuldades, como não enxergar à noite e mudar minha noção de espaço, mas hoje sinto que as superei”, afirma.


Roana ressalta, porém, que o descuido com a diabetes poderia ter feito ela perder a visão completamente. “Fiz os mesmos procedimentos para restaurar a retina no olho esquerdo. Como ele já tinha sido melhor tratado, por ter sido o primeiro a ter sintomas, os procedimentos foram um sucesso. Ainda bem”, diz.


Importância da educação para diabetes


O medo de perder a visão foi o que motivou a busca de Roana para entender mais sobre a diabetes. Foi só depois de pesquisar por conta própria que ela descobriu que seguiu o tratamento de forma insuficiente durante toda a vida.


“É fundamental disseminar informações acessíveis sobre as possíveis complicações e os riscos associados à diabetes. Com mais conhecimento circulando, os pacientes conseguiriam reconhecer os sinais precoces de problemas oculares e buscariam o tratamento adequado”, afirma a oftalmologista Paula.

“Busquei me informar. Tudo que eu sei sobre a diabetes hoje em dia, fui eu quem descobri. Hoje vejo que, se eu tivesse mais informação desde o ínicio, poderia ter ajudado até a minha mãe a ter uma vida mais tranquila”, ressalta Roana.


Fonte: Metrópoles

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