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'Dia dos Solteiros': sem tristeza ou solidão, pessoas sem um relacionamento dizem buscar liberdade



O Dia dos Solteiros é comemorado nesta terça-feira (15). A origem da data é desconhecida, mas se existe um dia especial para as pessoas que estão dentro de um relacionamento, alguém achou justo criar uma data para "os avulsos".


Segundo o último censo do Instituto Brasileiros de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas solteiras no Brasil é maior que a quantidade de pessoas casadas. São 81 milhões de solteiros e 63 milhões de casados. No Distrito Federal, até 2021, havia 1,1 milhão de solteiros.

A justificativa para manter-se "single" vai desde manter o estilo de vida, até curar feridas passadas ou se dedicar melhor a si mesmo. Mas, o principal argumento é "ter mais liberdade". De acordo com a psicóloga especialista em terapia de casal e família Helena Abdalla, a liberdade é fundamental para as pessoas que optam por viver sozinhas. "Poder viver da maneira que desejam sem que haja algum tipo de oposição ou resistência. A liberdade de poder continuar 'livre de surpresas', sem a exigência de reflexões, enfrentamento e mudanças", diz a psicóloga. Vida de solteiro (a) Mário Henrique Rodrigues Maior, de 38 anos, está solteiro há sete anos — Foto: Arquivo pessoal O servidor público e escritor Mário Henrique Rodrigues Maior, de 38 anos, está solteiro há sete anos. Ele decidiu ficar sozinho depois de viver um relacionamento em que as duas partes tinham planos de futuro diferentes. "A pessoa que eu tava gostaria de algo com maior compromisso, que resultasse num casamento, ou coisa do tipo. E eu ainda percebia que havia mais coisas pra eu conquistar dentro daquele momento, e não me via num nível de envolvimento maior dentro daquela situação. Daí por diante, meu pensamento permaneceu, e já era assim anteriormente, mas ele permaneceu e por conta disso eu permaneci solteiro", conta. Segundo Mário Henrique, além da liberdade, poder conviver consigo mesmo é uma das vantagens de estar solteiro. "Você se torna menos dependente de outras pessoas, seja emocionalmente, ou seja presencialmente. Você poder fazer as coisas do seu jeito é muito interessante", afirma. A psicóloga e palestrante Camila Pasquarelli, de 37 anos, está solteira há um ano e três meses. "Percebi que para encontrar um excelente homem, antes de tudo, eu precisava ser uma excelente mulher", diz ela. "A vantagem de ser solteira é que você pode investir mais tempo no aprimoramento pessoal e com mais constância. Porém é necessário estar sempre em alerta para não tornar-se uma pessoa egocêntrica, autocentrada, achar que 'o mundo deve girar ao seu redor'. O tal do 'amor próprio' pode te conduzir a solidão, pois você acaba tornando-se autossuficiente e o grande lance da caminhada da vida é você compartilhar momentos e coisas com pessoas", diz Camila. Para ela, a vida de solteira necessita de "autoresponsabilidade". "É fazer boas escolhas, buscar o bem, evitar mal. É estar instalado na realidade e não se iludir com promessas vazias. Preservar princípios e valores que, atualmente, estão sendo rejeitados, e ter um propósito de vida estabelecido algo concreto", explica. Já a psicóloga Tatiana de Carvalho André, de 41 anos, que está solteira há um ano e meio, acredita que a grande vantagem é não precisar se preocupar com as dificuldades de um relacionamento. "Não perco minha cabeça com joguinhos – que todos fazem, não tem idade pra isso – desrespeito, falta de compromisso, mentiras", diz ela que já foi casada e tem filhos. "A delicia de acordar todos os dias sem a preocupação de 'Onde ele esta? Será que me traiu?'. Já pensei muito sobre isso, sobre dar uma nova chance pro amor. Mas a paz que eu sinto hoje não tem preço", diz Tatiana. Mas, e a solidão? Independentemente da escolha de ser solteiro, às vezes bate o sentimento de solidão. No entanto, para Camila Pasquarelli, essa pode ser uma oportunidade de autoconhecimento.

"Vivemos numa sociedade que abomina a solidão. As pessoas fogem, têm medo de ficarem sozinhas e, muitas delas, não suportam a sua própria companhia. Vejo pessoas metendo os pés pelas mãos por conta desse medo aliado a carência e, como resultado, se submetem a relacionamentos degradantes, a situações humilhantes, aceitando migalhas", diz a a solteira. "Eu vejo a solidão como uma oportunidade de você poder se enxergar de forma honesta, admitindo as suas fragilidades, debilidades e defeitos para si mesmo e, concomitantemente, reparando essas mazelas. Mas, sobretudo, a solidão é uma oportunidade única de você desenvolver." Segundo a psicóloga, quando bate a carência, ela procura preencher o dia. "Pratico esportes, organização da casa, leitura, estudo, comunhão com amigos, passeios de moto, rolê de longboard, tomar um sol, banho de piscina, brinco com meu irmão que tem 4 anos, exerço a caridade, vou à igreja para rezar, alimento o meu espírito com palavras que me enchem de fé, esperança e amor", exemplifica.

Para Mário Henrique, o solteiro tem mais momentos sozinho, mas estar em um relacionamento não garante que a solidão não apareça. "Nesses momentos a gente acaba se conhecendo muito, e tomando certas decisões que vão nortear nossa vida. Eu, pessoalmente, lido muito bem com a solidão", diz o servidor público. "Obviamente, em alguns momentos a gente para e fala 'poxa, ter alguém pra algo mais fixo, ou mais firme, pode ser importante, traria momentos agradáveis'. Assim como a pessoa que é casada, ou está namorando pensa que, se fosse solteiro, em algumas situações poderia ser uma pessoa melhor ou mais feliz", diz o escritor. Protagonista da própria história De acordo com a terapeuta Helena Abdalla, estando solteiro ou casado, "a vida é uma obra de arte". "Isso é um fato e não uma advertência. A vida do ser humano, dotado de vontade e liberdade de escolha só pode ser uma obra de arte. É durante o percurso dos nossos relacionamentos que descobrimos o que as experiências nos proporcionam, interna e externamente", diz Helena. Para ela, é importante "ser protagonista de nossa história e autor de nossa própria vida é entender que temos a capacidade de nos posicionar, de forma reflexiva e crítica, frente aos conflitos gerados dentro de uma relação". Helena diz que esse posicionamento está ligado a capacidade de compreender e respeitar a si mesmo e ao outro, "ainda que eu não concorde".

A terapeuta lembra da importância de tendo ou não um relacionamento, saber negociar questões que podem ou devem ser mudadas. O objetivo, segundo ela, deve ser sempre o amadurecimento, o crescimento pessoal e o desenvolvimento qualitativo das relações. Segundo Helena, as vontades e escolhas de cada um deixam marcas na própria vida e nas de outras pessoas. "Ser um indivíduo responsável por sua escolha de vida, sua escolha entre as escolhas, e pelas consequências das escolhas que faz, é um decreto do próprio destino. Devemos refletir criticamente e honestamente sobre o funcionamento de nossas relações e nos manifestar através de ações, a fim de que haja mudanças significativas e maior qualidade às nossas vivências", afirma a terapeuta. Para a especialista, independentemente do estado civil, é preciso coerência. "Aceitar a complexidade da nossa própria vida é o primeiro passo para nos desenvolvermos e nos fortalecermos como pessoas. Seus movimentos precisam ser coerentes com seus valores, crenças, desejos e objetivos", alerta.


Fonte: G1

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