Dia das Mães: ela já tomou as duas doses da vacina. Posso abraçá-la?


No primeiro ano de pandemia da Covid-19, famílias foram privadas de celebrar datas importantes para se resguardar do novo coronavírus. O início da vacinação trouxe a esperança de que 2021 seria diferente e que o Dia das Mães poderia ser comemorado em família, mas médicos infectologistas afirmam que ainda não é o momento para relaxar quanto às medidas de proteção.


Apesar de mais de a metade da população idosa do Brasil já ter tomado a primeira dose de uma das vacinas que estão sendo aplicadas no país, a proteção contra o vírus só se estabelece duas semanas após a aplicação da dose de reforço. E, ainda assim, mesmo as mães com mais de 60 anos que já receberam as duas injeções não estão liberadas para participar de reuniões, pois o risco de contaminação continua até que uma grande parte da população esteja vacinada.

“A vacinação não foi um passaporte para abandonarmos as medidas de segurança porque a gente não sabe se o organismo daquela mãe ou avó em particular respondeu à vacina”, explica a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Flávia Bravo.

Ela destaca que nenhuma das vacinas disponíveis tem 100% de eficácia garantida, o que significa que uma parcela dos vacinados pode não ter uma resposta imunológica adequada e, caso seja contaminado por um parente ainda não vacinado, pode desenvolver quadro grave da doença. “Estamos lidando com uma população de avós, muitas são mais velhas e podem ter comorbidades”, comenta.


Para a pediatra, a alta expressiva dos casos de Covid-19 no país faz com que a situação deste ano seja ainda mais preocupante do que a enfrentada no Dia das Mães de 2020. “Nós estamos no olho do furacão. Temos um número maior de doentes e hospitalizados. Os números podem até ter se estabilizado, mas estão em um patamar bastante alto”.


O infectologista do grupo de laboratórios Exame, José David Urbaez, prevê um novo aumento de diagnósticos positivos para a Covid-19 nos próximos 15 dias provocado justamente pelo Dia das Mães. A movimentação para a compra de presentes e os encontros, com as comemorações em restaurantes, devem ser os principais cenários de transmissão.


Encontros sem abraços


Segundo ele, o vínculo familiar, infelizmente, aumenta o risco de transmissão porque as pessoas tendem a baixar a guarda. Em seu consultório aparecem diariamente casos de pessoas que foram infectadas sem sair de casa, por meio de visitas de parentes.


“Você vai querer tomar um cafezinho e conversar, trocar presentes e abraçar. As pessoas precisam entender o risco de transmissão de uma virose que pode ser letal”, reforça Urbaez.

Encontros seguros, com o relaxamento das medidas de segurança só serão possíveis após a diminuição da circulação do vírus através da vacinação em larga escala e com dados epidemiológicos que indiquem a redução significativa dos números de casos e internações.


Mas os médicos têm consciência de que muitas famílias vão furar o isolamento e se reunir no próximo domingo (9/5), apesar de todos os riscos. Por isso, eles destacam alguns cuidados essenciais, e que devem ser tomados em conjunto, para reduzir o risco de infecções:


  • Os encontros devem ser em ambientes abertos e com circulação de ar, pois o vírus é transmitido pelas partículas aerossóis;

  • Todos devem manter o uso correto de máscaras de qualidade, cobrindo o nariz e a boca, todo o tempo;

  • O distanciamento de pelo menos dois metros entre as pessoas deve ser mantido.


Fonte: Metrópoles

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