Desequilíbrio das bactérias do intestino pode afetar saúde mental


O equilíbrio de bactérias que agem no nosso intestino é fundamental para o funcionamento adequado do organismo. O desequilíbrio, por outro lado, interfere na evolução de algumas doenças como ansiedade e depressão.


O médico Ricardo Barbuti, do Departamento de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), ressalta que "nenhuma doença tem causa única", mas a microbiota intestinal "modula a apresentação dessas doenças".


"Primeiro, você precisa ter uma predisposição genética para isso e aí tem os fatores ambientais que fazem com que esses genes se expressem mais ou menos. Entre os fatores ambientais envolvidos na expressão dessas doenças, a gente tem a microbiota intestinal. É sabido perfeitamente que a microbiota modula a apresentação dessas doenças, facilita o aparecimento, interfere no tratamento, interfere na evolução. Mas não que isso seja a causa de tudo, porque nenhuma doença tem uma causa única."


Isto se explica, em partes, porque o intestino é responsável pela produção de 30 hormônios, incluindo 95% da serotonina, um importante neurotransmissor que age na regulação do humor, do sono, do apetite, entre outras funções.


Outras doenças autoimunes também são associadas ao desequilíbrio da microbiota, chamado de disbiose. Barbuti cita a doença celíaca, doenças inflamatórias intestinais, doença de Crohn e retocolite ulcerativa como "exemplos clássicos".


Como saber?

O gastroenterologista afirma que é preciso estar atento aos sinais do organismo. Espera-se que a microbiota se altere em qualquer doença, diz.


"Se você não se sentir saudável, muito provavelmente algum grau de desequilíbrio da sua microbiota você vai ter."


Há componentes que interferem disbiose: a má alimentação, o sedentarismo e consumo excessivo de bebidas alcoólicas são alguns deles.


Todavia, a mudança para um estilo de vida mais saudável, com prática regular de exercícios físicos e uma dieta adequada são capazes de readequar a microbiota.


Além disso, também existem os probióticos, que nada mais é do que a suplementação de bactérias. Mas é preciso ficar atento porque há uma infinidade de cepas que atuam de maneira diferente. O médico ainda alerta que a mistura de probióticos pode ter efeitos negativos.


Se escolhidos da forma correta — por isso é recomendado acompanhamento médico —, os probióticos podem ser aliados no tratamento de doenças.


Barbuti cita o caso dos transtornos depressivos e de ansiedade.


"Quando você tem um desequilíbrio da microbiota interferindo nessas doenças, se você usar cepas especificamente estudadas para isso mostrando que elas melhoram de alguma maneira a evolução dessas doenças, você chama esse probióticos como psicobióticos. São vários que são estudados isoladamente ou em combinação que se mostram capazes sim de interferir de alguma forma, seja na diminuição da ansiedade, melhora no score da depressão..."


Ele faz uma ressalva, no entanto, de que os probióticos não devem ser usados sozinhos no tratamento. "Eles funcionam como uma ajuda a mais", finaliza.


Fonte: R7

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