Descuido com a aparência pode ser depressão. Saiba outros 7 sinais


 
 

A conscientização dos brasileiros sobre o tema depressão está aumentando. Segundo pesquisa do Datafolha sobre saúde mental, 4 em cada 10 brasileiros tiveram sintomas de ansiedade ou depressão durante a pandemia. Cerca de metade dos entrevistados considera muito importante oferecer ajuda a quem está passando pela doença, mas 10% dizem não saber agir diante de uma pessoa próxima com o problema.


O psiquiatra Adiel Rios, pesquisador no Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), afirma que reconhecer um quadro de depressão exige cautela, especialmente no momento atual.

“É importante destacar que a pandemia aumentou o número de pessoas com sintomas depressivos ou ansiosos, mas isso não é sinônimo de depressão ou transtorno de ansiedade generalizada. Esse diagnóstico depende de vários critérios, e é individualizado”, afirma.

O especialista explica que a depressão combina alterações nos neurotransmissores do cérebro – serotonina, noradrenalina e dopamina, que são os responsáveis pela sensação de prazer e bem-estar – e de fatores externos, como situações sociais de alta vulnerabilidade, traumas, abuso de substâncias lícitas e ilícitas, sedentarismo e alimentação de baixa qualidade, entre outros.

“Isso mostra claramente que não somos apenas a expressão de um gene, mas a resposta a tudo que acontece a nossa volta”, afirma Adiel.

Para receber o diagnóstico e iniciar o tratamento adequado, é muito importante consultar um psiquiatra ou psicólogo. Abaixo, Adiel Rios lista 8 sinais que podem indicar uma possível depressão:


1. Desinteresse por atividades que davam prazer


“É difícil ter motivação com uma rotina cheia de eventos estressantes como os atuais. No entanto, se a pessoa chega ao ponto de deixar de lado as atividades que sempre gostou de fazer, é um sinal perigoso”.

Segundo Adiel Rios, neste período de transição, a oportunidade de se isolar e ser mais inativo se tornou um alívio para as pessoas que já desenvolveram depressão ao longo desses dois anos de pandemia.


2. Sentimento contínuo de tristeza e apatia


A tristeza é um fenômeno de causas externas. A morte de uma pessoa querida ou o fim de um namoro são exemplos de eventos que podem deixar alguém triste. Ao contrário da tristeza, a depressão é um fenômeno interno, que não precisa de um acontecimento.


A pessoa fica apática, não sente vontade de fazer nada. Dificuldade de concentração, cansaço sem explicação, alterações no sono e no apetite são alguns dos sintomas da depressão.


3. Mudanças bruscas de humor


Irritação constante por motivos banais, mudanças súbitas de humor e até reações agressivas merecem atenção. “O indivíduo com depressão se aborrece à toa e sempre encontra motivos para se irritar e reclamar”. Essa apresentação pode ser bastante comum em homens, explica o pesquisador.


4. Alterações no apetite e no sono


Dormir demais (ou quase nada) e comer muito (ou perder o apetite) são quadros sintomáticos comuns em pessoas com depressão.


“As oscilações são muito grandes. O indivíduo pode passar várias noites em claro ou chegar a dormir 12 horas seguidas e, mesmo quando acorda, não tem a menor disposição para levantar. Na alimentação, a pessoa que come muito mais do que deve, usa a comida como válvula de escape para aliviar a ansiedade. Já outras, perdem completamente o apetite”, afirma o especialista.


5. Desleixo com higiene e vaidade


Uma das características da depressão é a perda da vontade de cuidar de si mesmo. A pessoa costuma estar com a higiene corporal comprometida (podendo ficar dias sem tomar banho); roupas sujas, rasgadas ou desalinhadas; mau cheiro; cabelos despenteados, sujos e visivelmente maltratados; barba por fazer (em homens); dentes estragados ou unhas sujas e compridas.


6. Dores pelo corpo


Além dos sintomas psiquiátricos, a depressão pode ser uma doença inflamatória que ataca o corpo. O indivíduo parece vivenciar uma ‘síndrome gripal’ com dores e tensão acumulada nos músculos, ombros e pescoço; cólica, diarreia ou azia; aperto no peito, dores de cabeça e fadiga.


7. Dificuldade nas tarefas rotineiras


A sensação de “cabeça vazia” e a dificuldade de se concentrar são típicos de uma pessoa com depressão. Muitas vezes, os pensamentos se tornam tão confusos que dificultam a tomada de decisões, mesmo aquelas mais simples e cotidianas.


Como consequência, tudo se torna um esforço imenso, e a pessoa acaba procrastinando tarefas e responsabilidades, ficando ainda mais angustiada.


8. Autoestima baixa


Outro sinal de alerta da depressão é a sensação de incapacidade, impotência e fragilidade. De acordo com Adiel, é comum a pessoa se sentir menos importante, achar que ninguém se importa com ela e que tudo que acontece de ruim é sua culpa.


“A vida começa a ficar esvaziada, cansativa e até sem sentido. Quando chega a este ponto, pode começar a vir os pensamentos suicidas”, afirma.


Vale lembrar que a depressão é, sim, uma doença grave, que deve ser tratada antes que alcance estados onde a pessoa fique incapacitada.


Fonte: Metrópoles

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