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'Deprê', tristeza ou luto? O que sentimos e como lidar com a eliminação do Brasil na Copa



A derrota do Brasil para a Croácia nos pênaltis fez a palavra "luto" ser usada por muitos torcedores. Para os mais confiantes no hexa, a sensação é ruim o suficiente para ser associada ao termo.

Mas o que dizem os especialistas no tema? O país está em luto, em tristeza profunda ou passa por uma "deprê" momentânea? Abaixo, veja como psiquiatras avaliam o momento e quais dicas eles dão para superar:

  • O que vivemos pode ser comparado a um luto? Para o psiquiatra Daniel Barros, médico do Hospital das Clínicas, apenas de forma aproximada.

"O luto é uma perda de objeto de afeto. (...) Quando você torce para seleção, você coloca afeto, expectativa e termina. Nesse sentido pode ser análogo, mas não dá para comparar com a perda pessoal", afirma Barros.

  • Como lidar com a eliminação? Para o psiquiatra, o caminho é colocar em perspectiva:

"Comparando com as nossas outras perdas, vendo como a vida segue independentemente disso, pensando que amanhã não estaremos mais tristes, colocar nessa perspectiva temporal ajuda a passar", explica Barros.

  • O psiquiatra e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Lucas Spanemberg, também aponta que é preciso olhar para o entorno e colocar em perspectiva.

"A gente tem outro repertório na nossa vida, tem outras valências preenchidas, nas relações, nos trabalhos, na vida acadêmica, na vida social, e a Copa do Mundo era um plus, era algo a mais que existiu, que se coloca uma expectativa e que, depois, a gente volta a se engajar na nossa vida”, explica Spanemberg.

  • E as crianças, precisam de atenção especial? O psiquiatra Daniel Barros diz que a principal dica é observar e ver como elas estão se sentindo, dar oportunidade para que elas se expressem.

"Como a criança tem um horizonte temporal menor, é difícil para ela colocar em perspectiva. (É importante) distrair, mostrar outras coisas que são legais apesar disso e ajudar a ver outras coisas que são positivas", explica Barros. Uma felicidade que não depende de nós O psiquiatra e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Lucas Spanemberg, aponta ainda outro aspecto que pode ser útil para refletir e usar neste momento:

  • É hora de usar a energia que foi colocada na Copa do Mundo em temas que são importantes para nossas vidas e sobre os quais temos mais controle, avalia o professor.

"Na Copa, a gente não tem controle, contamos com aquele grupo de jogadores e com uma série de variáveis que não estão na mão dos jogadores para ir bem. Mas, para nossa vida, o engajamento depende de nós”, diz Spanemberg. Raiva, dor e sentimento de impotência são normais A psiquiatra Tania Alves, coordenadora do ambulatório de luto do Hospital das Clínicas, lembra ainda que é normal sentir raiva, dor e sentimento de impotência neste momento. E que a eliminação no futebol nos lembra outros desafios:

  • "Desistir de algo é tarefa difícil, trabalhosa e que passamos a vida inteira aprendendo a fazer", afirma Tania.

  • "Ter que aceitar que outras forças existem além do nosso desejo e que não temos controle sobre elas é uma descoberta assustadora", completa a psiquiatra.

Tânia diz que, no caso dos pais que precisam consolar as crianças, a dica é usar a eliminação para explicar que valeu o aprendizado neste processo. "(Vale dizer para os pequenos torcedores) que a confusão e a desorganização interromperam uma luta, mas a batalha da vida, de estarmos juntos e nos desenvolvermos como homens, mulheres, crianças, nação e seres humanos continua e tem muito jogo pela frente", resume Tania Alves.


Fonte: G1

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