Depois de 131 dias na UTI, bebê prematuro tem alta e precisa voltar ao hospital após pegar Covid


"Pela primeira vez pude sentir seu suspiro, sentir a sua pele. Não tenho palavras para explicar a emoção que eu senti quando falaram 'você vai pegar ele no colo hoje, agora'. Meu peito pulou de alegria". Estas foram as palavras que a fotógrafa Taygra Prates, de 26 anos, usou para definir o momento em que pegou o filho no colo pela primeira vez. Prematuro, ele ficou 50 dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e depois, voltou para o mesmo local, desta vez infectado por Covid-19.


"Ele nasceu em março de 2020, com 23 semanas e 680 gramas. Tive alguns sangramentos, vivia no médico, só que nunca descobriam a causa. De início, falaram que a placenta estava descolada, só que no ultrassom aparecia que estava colada. Até que, em um consulta de rotina, de 21 semanas, a médica falou que ele iria nascer. Foi feito um procedimento, que durou exatas duas semanas e aí ele nasceu, com oito centímetros de dilatação", afirmou ao G1 a fotógrafa.

Na época, a médica dizia que era necessário, no mínimo, aguardar 28 semanas para o nascimento. "Isso que a doutora falou era para aumentar a probabilidade dele nascer, se não poderiam falar que poderia sobreviver. Não tinha vaga em UTI e falavam em transferência, outra dificuldade para ele. A chefe da UTI então deu um jeito e conseguiram encaixá-lo no hospital", relembrou Prates. A partir daí, foram muitas complicações, com o bebê entubado por cerca de 80 dias, diagnóstico de insuficiência renal, infecção e problema no pulmão. "Ele era prematura extremo e eu tinha muito medo, só que fazia orações o tempo todo, tentava manter a minha fé. Todo dia era um susto diferente. Quando melhorava uma coisa, piorava outra e foi uma luta mesmo", disse a fotógrafa. Após 131 dias, no dia 1° de agosto de 2020, Taygra e o esposo, Gabriel Porto, de 23 anos, puderam finalmente levar o filho para casa. "Voltamos a levar uma vida praticamente normal, porque ainda ficaram os compromissos de fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e fisioterapeuta. Só que com a pandemia ficamos reclusos, só saíamos para trabalhar mesmo, até que, infelizmente, veio a Covid", lamentou.

Conforme Taygra, a mãe dela percebeu sintomas gripais, porém, a fotógrafa precisou deixar Henrique na casa dela, já que tinha agendade trabalho.

"Tive que fazer uma ensaio no mês de maio e, após uns 3 dias, ele apresentou tosse, espirrava de vez em quando e, no sábado, começou a dar febre. Nós o levamos no médico, até ver que ele estava com infecção urinária e parte do pulmão comprometido. Fomos depois todos os dias ao médico, até ter o diagnóstico da Covid no dia 6 de junho", comentou. Novamente, a família voltou ao hospital e Henrique precisou ser internado no dia 10 de junho. "Ele estava com dificuldade para respirar. A saturação dele dava 85 e já tinha atingido os dois lados do pulmão, quando precisou fazer a internação. Ele continuou a receber medicamentos, quando, na última quarta-feira (16) ele teve alta médica. Agora, estamos pedindo para muitos familiares aguardarem, já que ninguém o viu ainda desde o nascimento", explicou.

Emocionada ao falar do filho, Taygra fala que chegou a ouvir de médicos sobre o quanto ela era calma. "Ele, mesmo naquela batalha, sempre me passou forças. Os profissionais também foram bem atenciosos, iam na hora nos passar informações e muitos brincavam com o Henrique.


Ficamos tão gratos que acabamos fazendo amizades com enfermeiras, técnicas de enfermagem, a equipe toda. Um deles até fazia desenhos para o meu filho, algo muito especial mesmo, para combinar com a roupinha dele do Homem-Aranha", falou.

Ainda conforme Taygra, as pessoas precisam também cuidar das crianças e entender que elas "também pegam Covid". "Elas não precisam passar por isso. Eu lembro de chorar, de pensar que o meu filho estava passando por algo, por conta de pessoas que não se cuidam. Estou sempre falando agora, pedindo para as pessoas usarem máscara o tempo todo, cuidarem das crianças. Meu filho foi um guerreiro, algo que muitos poderiam não ter sobrevivido", finalizou. Fonte: G1

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