Curado de câncer de mama alerta para cuidado dos homens: 'Tem que se prevenir igual às mulheres'



Ao descobrir o câncer de mama em junho de 2016, o açougueiro Getúlio Vaz Eduardo Júnior, de Ribeirão Preto (SP), entrou para as estatísticas, ainda que raras, de homens diagnosticados com a doença no Brasil. Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o público masculino representa 1% do total de casos no país.


Curado após oito sessões de quimioterapia, 28 de radioterapia e cirurgia para retirada do nódulo, Vaz Júnior faz, hoje, tratamento apenas com o uso do medicamento Tomaxifeno uma vez ao dia e destaca a importância da prevenção para os homens. “O importante é frisar que o caso é raro, mas pode acontecer e os homens têm que se prevenir também igual às mulheres. Graças a Deus, como o médico falou para mim, dos cânceres possíveis, esse dava para resolver mais rápido”, diz. Medo de morrer Pai de cinco filhos, o açougueiro, que na época tinha 47 anos, foi diagnosticado com câncer de mama uma semana após o nascimento da caçula.

Vaz Júnior achou estranho um caroço que apareceu no peito esquerdo. De início, pensou que fosse por conta da gordura, mas o quadro foi se agravando e ele procurou um posto de saúde.

Lá, foi orientado a ir à Santa Casa de Ribeirão Preto. Durante um exame de ultrassom, o médico avaliou e, após biópsia, o câncer de mama foi constatado. “Eu não sabia se meu câncer tinha cura ou não. Depois que eu comecei a fazer o tratamento que eu fui sabendo como funcionava. Quando eu recebi a notícia, a primeira coisa que veio na mente foi que eu ia morrer. Para mim, isso foi automático”, afirma. Sem preconceito Encaminhado ao Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto, o paciente iniciou a quimioterapia. Após duas sessões, foi direcionado, em setembro de 2016, à cirurgia para retirada do nódulo. O tumor, que não foi muito agressivo, não avançou para o restante organismo. No entanto, ele perdeu o mamilo esquerdo. Depois, Vaz Júnior passou por mais seis sessões de quimioterapia e 28 de radioterapia. O corpo não sentiu fortes reações ao tratamento, a não ser a queda de cabelo.

"Depois da primeira quimioterapia, meu cabelo caía só de encostar a mão nele. Eu pedi para raspar", conta.

O açougueiro afirma que em nenhum momento foi alvo de preconceito por ser homem e ter tido um câncer que acomete, na maioria das vezes, as mulheres. “Não coloquei prótese. No meu caso, não me importei em ficar sem o peito. Graças a Deus eu não tive situações que me deixaram para baixo, de preconceito, nem nada”, conta. Rotina normal O medicamento Tomaxifeno, receitado para Vaz Júnior, deve ser tomado ao longo de cinco anos após o término das sessões de quimioterapia e radioterapia. É o mais indicado para diagnósticos de câncer de mama tanto em homens quanto em mulheres, segundo a oncologista Cristiane Alves Mendes Parizze, do Instituto Oncológico de Ribeirão Preto (Inorp).

No caso dele, o tratamento termina em 2021. Durante a recuperação, o açougueiro conta que seguiu a vida normal e continuou trabalhando, jogando futebol e colocando em prática uma atividade que desenvolveu aos 13 anos de idade: a dança.

“Um clube de Ribeirão Preto abriu espaço para mim. Eu comecei a dar aula de passinho de flashback. As aulas acontecem toda quarta-feira, mas agora por conta da pandemia, tivemos que parar”, conta. Apoio essencial O grupo de dança e os amigos de futebol incentivaram o paciente durante o período de recuperação. Com os amigos da bola, algumas adaptações precisaram ser feitas devido às sessões de quimioterapia.

Como a imunidade do organismo é afetada no tratamento, o açougueiro não participava das reuniões dentro do vestiário antes dos jogos. Ele esperava o local ficar vazio para poder entrar. Outra mudança foi no posicionamento em campo. Por não conseguir correr muito como antes, passou a atuar como meio-campo mais centralizado, fazendo a função de armador. Foi aí que ganhou o apelido de “Gegê Zidane”, em alusão ao meio-campista francês Zinedine Zidane, eleito três vezes o melhor jogador do mundo pela Fifa.

“Um amigo falou: ‘Ó, não tem como você correr para lá e para cá porque você fica cansado por conta da quimioterapia. Então, fica aqui no meio e arma o jogo’. Não deu outra. Aquilo foi me animando”, conta.

Além do diagnóstico precoce, que evitou que o tumor se espalhasse pelo corpo, Vaz Júnior acredita que a rápida recuperação se deve ao fato de ter tido pessoas importantes passando força e incentivo a todo instante.

“O importante de tudo isso, tanto para homem, como para mulher, é o apoio dos filhos, da família, dos amigos. Isso é muito importante. Meus filhos me ajudaram muito”, diz. Prevenção Embora raro, o câncer de mama nos homens é mais fácil de ser detectado do que nas mulheres, segundo a oncologista Cristiane Alves Mendes Parizze.

Ela explica que a glândula mamária masculina é menor e é menos exposta ao estrogênio, principal hormônio relacionado ao desenvolvimento da mama.

“Como não tem muita glândula no homem para o tumor crescer, ele acaba chegando mais rápido no mamilo e na pele. Na medida em que o homem se conhece mais, quebra esse tabu de se tocar, de se conhecer, ele vai conseguir fazer o diagnóstico mais precoce”, afirma. Cristiane fala que os dois tipos de câncer de mama mais comuns nos homens são o carcinoma lobular invasivo, com origem nas células que produzem o leite, e o carcinoma ductal invasivo quando a parede do ducto mamário é rompida e o tumor cresce no tecido adiposo da mama. Nas mulheres, eles também aparecem com mais frequência.

Para detecção do tumor masculino, a médica diz que há exames de mamografia, mas eles não são tão fáceis de detectar o problema, pois, na maioria dos casos, não há tamanho suficiente para a mama se encaixar no equipamento. No caso dos homens, então, é necessário associar o exame à radiografia, biópsia e tomografia.

“Os sintomas mais comuns nos homens são caroço no mamilo, retração no mamilo, geralmente dor na mama e secreção pelo mamilo. Não significa que é tumor, mas há grande chance de ser”, explica.


Ainda de acordo com a médica, os casos masculinos de câncer de mama podem estar ligados à genética. Veja os principais fatores.

  • Idade acima de 50 anos

  • Casos de 1º grau na família (homem ou mulher)

  • Já ter feito radioterapia no tórax antes dos 30 anos

  • Exposição à medicação que aumenta o estrogênio

  • Alteração de cromossomos

  • Bebida alcoólica em excesso

  • Sobrepeso e obesidade

  • Lesões nos testículos

Como prevenção, a oncologista orienta que o homem faça mais atividade física, controle o peso, diminua a quantidade de uso de bebida alcoólica e, caso tenha diagnóstico da família, faça um acompanhamento médico.


Fonte: G1

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