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Crise de ansiedade coletiva em escola em PE acende alerta para cuidados com saúde mental



Uma crise de ansiedade coletiva registrada em uma escola de Recife (PE) no início do mês de abril acendeu um alerta para os cuidados com a saúde mental de adolescentes e jovens. O g1 conversou com uma psicopedagoga e com uma psicóloga em Juiz de Fora para entender o que é o transtorno e qual o papel das instituições de ensino e da família diante da situação.

O que é ansiedade? De acordo com a psicóloga e neuropsicóloga, Thathyana Rocha dos Santos Polito, a ansiedade basicamente é uma necessidade de compreender o que ocorre no ambiente e de se adaptar a ele. É algo que desencadeia um descontrole e espécie de desalinhamento da pessoa para com o ambiente em que está inserida.

"A ansiedade vem de uma pressão psíquica que impulsiona a consciência, o que consequentemente impulsiona o ego, que é a estrutura central da consciência, onde sentimos pressão interna. Ela vai causar um descontrole emocional, aumento de taquicardia e outros sintomas que variam de pessoa para pessoa", explicou.

Ela alertou ainda que ter uma crise de ansiedade não significa que a pessoa sofra de Transtorno de Ansiedade Generalizado(TAG). "Precisamos desvincular essas coisas, nem sempre quando tenho uma crise de ansiedade, ou quando estou passando por um momento de ansiedade, quer dizer que eu sofra de um transtorno de ansiedade", afirmou. Diagnóstico Conforme a especialista Thathyana, a ansiedade só pode ser diagnosticada por um profissional de saúde capacitado, neste caso, psicólogo ou psiquiatra.

"Se algum familiar ou profissional de educação identificar que o estudante pode estar em crise ou apresentar sinais do transtorno, a pessoa tem que ser diretamente encaminhada para a psicoterapia para saber como lidar com isso e se tratar. Chamar para conversar também é ideal. Cuidar da parte emocional é importante, mas as pessoas ainda apresentam muito receio", afirmou. Tratamento A psicoterapia é a primeira forma de tratamento indicada pela psicóloga. Em alguns casos, se for verificado que só a terapia não é suficiente, a pessoa é encaminhada para o psiquiátrico para receita de medicamentos, informou Thathyana. Como identificar em estudantes? Conforme a psicóloga, o ambiente escolar por si só já é estressante, com pressões externas, expectativa dos pais e professores sobre o que se espera do estudante, e o que ele vai conseguir ser e entregar.

Alguns sinais de identificar nos estudantes são:

  • o não parar na carteira sentado no lugar;

  • roer materiais escolares como canela, lápis, borracha, etc;

  • desatenção;

  • baixa produtividade;

  • pouca leitura;

  • falta de ar;

  • sudorese;

  • enjoo;

  • dor de cabeça;

  • sensação de inadequação;

  • irritabilidade;

  • pressa;

  • explosivo;

  • fala acelerada ou a falta dela.

Além disso, é preciso que professores, equipe escolar e pais fiquem atentos às mudanças de comportamento, se estão mais quietos, com dificuldade para dormir, entre outras alterações. A escola pode ser um ambiente que desencadeia ansiedade nos estudantes? Em entrevista ao g1, a psicopedagoga Mônica Braida, explicou que a ansiedade na escola é uma reação comum que muitos estudantes experimentam diante de algumas situações na rotina escolar, como em vésperas de provas, apresentação de trabalhos para a turma, mudança para uma nova escola, expectativa de conseguir boas notas para ser aprovado.

Segundo ela, preocupar-se com as tarefas do cotidiano não tem nada de anormal. O problema é quando isso passa a ser excessivo e constante, e começa a interferir nas atividades da pessoa. "A ansiedade é uma reposta natural do corpo à estímulos ambientais, entretanto, altos níveis de ansiedade podem causar prejuízo ao indivíduo. Neste sentido, a ansiedade pode prejudicar o aluno em vários aspectos e pode desencadear consequências mais sérias como dificuldade de aprendizagem, dificuldade de concentração e de assimilar informações, não alcance dos resultados esperados e isolamento social", completou. Qual o papel da escola em evitar este tipo de problema? A psicopedagoga ressaltou, ainda, que a escola deve ser um ambiente de acolhimento e escuta aos alunos, sem minimizar sentimentos e/ou sintomas. Entrar em contato com as famílias também é importante, pois o vínculo entre escola e família precisa ficar estabelecido. Outra ação da escola é em relação à sala de aula: é preciso que os professores fiquem atentos a situações que possam causar um sentimento desagradável.

A escola também deve trabalhar a temática, desenvolvendo as habilidades socioemocionais dos alunos, dando ferramentas para que cada um deles saiba como lidar com as situações que fazem parte da vida. Dicas e orientações para a família e para os profissionais de educação As especialistas deram algumas dicas e orientações para a família e profissionais de educação.


Veja abaixo:

  • Atenção e escuta;

  • Direcionamento;

  • Acolhimento;

  • Manter o físico e o intelectual ativos;

  • Não deixar o aluno isolado;

  • Reforçar laços familiares e de amizades;

  • Orientá-lo para que reserve um tempo para curtir a vida e a convivência com os outros;

  • Encorajá-lo a encarar a ansiedade para aprender a superá-la e não ter vergonha de buscar ajuda de profissionais.


Fonte: G1

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