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Covid: novo estudo revela porque algumas pessoas infectadas não têm sintomas



Um aspecto da pandemia de Covid-19 que tem fascinado tanto cientistas como o público em geral é como a infecção afeta as pessoas de forma diferente. Isto é, por que algumas pessoas nunca ficaram doentes por causa do novo coronavírus? Ou nunca tiveram sintomas aparentes?


Agora, um estudo publicado na revista científica Nature lança luz sobre esse enigma, revelando que uma variante genética comum está associada a uma chance muito maior de evitar o aparecimento dos sintomas comuns após a infecção pelo SARS-CoV-2, o vírus que causa a Covid.

📝 Essa descoberta é resultado de um esforço conjunto entre pesquisadores dos Estados Unidos e da Austrália, liderados por cientistas de destaque, como o brasileiro Danillo Augusto, professor assistente da Universidade da Carolina do Norte em Charlotte. Como funcionou o estudo? Para chegar nessa conclusão, os pesquisadores focaram em uma classe de genes chamados antígenos leucocitários humanos (HLA), responsáveis por codificar proteínas que desempenham um papel vital no sistema imunológico (responsável pela defesa do organismo), identificando células saudáveis e diferenciando-as daquelas infectadas por patógenos, como bactérias e vírus. Por serem altamente variáveis entre os indivíduos, os HLAs suscitaram a curiosidade dos pesquisadores sobre a possibilidade de conterem variantes específicas que pudessem conferir proteção ou uma suscetibilidade ao SARS-CoV-2.

Para desvendar esse mistério, eles coletaram dados desde o início da pandemia, rastreando 29.947 indivíduos não vacinados por meio de um aplicativo móvel especialmente projetado para monitorar os sintomas da Covid-19. Dentre esses participantes, 1.428 relataram um teste positivo para o vírus. Fora isso, o DNA de todos os indivíduos já havia sido sequenciado previamente, permitindo que os pesquisadores analisassem seus genes HLA. 🦠Com isso, os cientistas descobriram então:

  • que indivíduos que tinham a variante genética HLA-B*15:01 em seu genoma eram muito mais propensos a permanecerem assintomáticos após a infecção;

  • que as pessoas portadoras da variante tinham cerca de 2x mais chances de permanecerem assintomáticas após serem infectadas;

  • e que aquelas que carregavam duas cópias dessa variante tinham ainda 8x mais chances de não apresentarem nenhum sintoma.

Surpreendentemente, essa variante está presente em cerca de 10% da população com ascendência europeia.

Segundo os cientistas, a hipótese é que o sistema imunológico desses indivíduos pode reagir de forma rápida e eficaz, eliminando o vírus antes mesmo que os sintomas se manifestem. É como se eles tivessem um exército imunológico altamente treinado, capaz de identificar os invasores pelo "uniforme" que vestem, mesmo que eles tentem se disfarçar. "Tínhamos a hipótese de que o sistema imunológico dessas pessoas poderia reagir com tanta rapidez e força que o vírus seria eliminado antes de causar qualquer sintoma. É como ter um exército", disse Jill Hollenbach, imunogeneticista da Universidade da Califórnia, coautora do estudo. Assim, essa memória imunológica, desenvolvida possivelmente por exposições prévias a outros coronavírus comuns, permite um reconhecimento rápido e eficiente do SARS-CoV-2, evitando a manifestação de sintomas.

Os pesquisadores também observaram que as células T dos indivíduos com a variante HLA-B*15:01, coletadas antes da pandemia, já apresentavam inclusive uma memória imunológica específica para uma parte do SARS-CoV-2.

Dessa forma, essa memória imunológica resultante da exposição a outros coronavírus similares permitiu que as células T reconhecessem e destruíssem efetivamente o SARS-CoV-2, evitando o adoecimento.

Essa descoberta representa um avanço significativo na compreensão da resposta imunológica ao SARS-CoV-2 e pode contribuir para o desenvolvimento de novas terapias e vacinas mais eficazes contra a COVID-19. Agora, os pesquisadores planejam continuar a investigar a resposta imunológica contra o vírus, com o objetivo de aprimorar a compreensão científica na luta contra a Covid.


Fonte: G1

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