Covid-19: troca de remédios em hipertensos pode agravar quadro de saúde

Posição da entidade que congrega cardiologistas é a de que trocas de medicamento podem agravar quadros de saúde que estão controlados

Depois da divulgação de que alguns medicamentos para controle de pressão alta podem agravar quadros de Covid-19 – a infecção provocada pelo novo coronavírus, a representação local da Sociedade Brasileira de Cardiologia emitiu nota explicando que pessoas com o quadro de hipertensão controlado não devem substituir a medicação.

A polêmica surgiu ainda em março porque duas classes de remédios anti-hipertensão – os inibidores de enzima conversora de angiotensina (IECA) e os bloqueadores de receptores de angiotensina (BRA), foram relacionadas com risco maior de contágio e de desenvolvimento de quadros graves da Covid-19.

Os medicamentos aumentam a produção da enzima conversora de angiotensina 2 (ECA-2) na membrana dos pulmões, o que facilitaria a entrada do novo coronavírus no órgão. Em artigo científico, o endocrinologista Flávio Cadegiani sugeriu uma alternativa para os que quisessem deixar os remédios.

A presidente da Sociedade de Cardiologia do DF, Alexandra Mesquita, explica que a troca pode, na verdade, prejudicar os pacientes que estejam com quadros controlados. “Há risco de descompensar ou agravar o estado do paciente: experimentações não devem ser feitas neste momento”, afirma.

De acordo com o cardiologista, as sociedades de Cardiologia Europeia, Americana e Brasileira, além da Sociedade Brasileira de Diabetes, estão alinhadas em recomendar a não suspensão ou troca desses medicamentos frente aos benefícios comprovados para pacientes hipertensos, cardíacos e diabéticos.

Em 13 de março, a Sociedade Brasileira de Cardiologia emitiu uma primeira nota afirmando que não havia evidências definitivas a respeito da associação entre o uso dos fármacos e o maior risco da doença e recomendou a avaliação individualizada de pacientes.

Opinião do especialista

O Dr. Paulo Henrique Gonçalves Pereira (CRM DF 16385), Cardiologista e Diretor Médico do Centro Clínico Salutá (DF), alerta para os riscos da troca de medicamentos:

“Sugestão: não troque o certo pelo duvidoso! Os medicamentos das classes dos iECAs (como captopril, enalapril) e os BRAs (como losartana e valsartana) são medicamentos consagrados no tratamento da hipertensão, doenças cardíacas e renais. Sua suspensão pode descompensar a doença de base o que, associado ao quadro de COVID-19, pode piorar muito a condição do doente.” “Nesse primeiro de maio de 2020, o conceituado período médico New England Journal of Medicine publicou 3 artigos que mostraram que o uso de iECA ou BRA não aumentou risco de complicações nos pacientes com coronavirus. Isso só reforça as orientações da sociedade brasileira de cardiologia para que esses medicamentos não sejam descontinuados” disse o Dr. Paulo.

Em revisão da bibliografia disponível, o Instituto Nacional de Cardiologia também recomendou que não se modifique o tratamento dos pacientes que usam IECA e BRA.

Fonte: Metrópoles

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