Covid-19: três mutações da variante indiana deixam o mundo em alerta


A segunda onda do novo coronavírus atingiu a Índia com força e atraiu a atenção de autoridades e cientistas para a variante B.1.617, que parece estar circulando mais entre a população indiana. Os recordes de mortes no país têm se superado nas últimas semanas.


Em 20 de abril, o país registrava pela primeira vez mais de 2 mil mortos em um único dia. Uma semana depois, em 27 de abril, já eram mais de 3 mil óbitos diários, número que chegou aos 4 mil no dia 7 de maio. Nesta quarta-feira (12), 4.205 indianos perderam a vida, de acordo com dados do Ministério da Saúde e Bem-estar da Família daquele país.


Ainda é cedo para associar a alta de casos e mortes à variante B.1.617. Segundo números do Consórcio Indiano Sars-CoV-2 sobre Genômica datados de 5 de maio, as variantes mais frequentes no país são a indiana e a britânica, sendo que a B.1.617 tem maior presença no estado de Maharashtra - até agora o mais afetado pela pandemia na Índia. Com uma população de 1,3 bilhão de pessoas, porém, é difícil cravar a prevalência de cada variante que circula entre os habitantes, já que as amostras são restritas.


Por isso, o governo indiano vem aumentando os estudos de sequenciamento de genoma. Uma pesquisa publicada no início de maio na plataforma bioRxiv, ainda não revisada por pares, analisou diversas mutações na proteína spike em amostras da variante B.1.617. Três delas (L452R, E484Q e P681R) tiveram sua disseminação aumentada a partir de janeiro de 2021 e já haviam sido observadas em outras versões do Sars-CoV-2 pelo mundo.


Os números nos nomes técnicos das mutações indicam a posição em que houve a alteração no genoma. De acordo com a pesquisa, mutações nos pontos 452 e 484 já foram observadas na variante da Califórnia, a B.1.427/B.1.429. Uma outra mutação constatada nas cepas da África do Sul e do Brasil assemelha-se à E484Q, encontrada na variante indiana. De acordo com Conselho Indiano de Pesquisa Médica, mais mutações na posição 681 também foram relatadas em outras linhagens.


Mesmo em regiões distantes, o vírus pode estar desenvolvendo características semelhantes devido à combinação entre essas três mutações. Ele evolui de maneira independente para se adaptar cada vez melhor aos hospedeiros humanos. A posição 452, por exemplo, é um dos pontos de encaixe entre o vírus e a nossa célula. Uma alteração ali pode melhorar a capacidade do patógeno de escapar dos agentes de defesa do sistema imunológico.


É justamente devido à suspeita de maiores taxas de transmissão, além do aumento rápido de prevalência de linhagens da B.1.617 em diversos países, que a Organização Mundial da Saúde (OMS) a classificou como “variante de preocupação”. Outro ponto considerado foram as evidências preliminares que sugerem que a variante indiana reduz o potencial de anticorpos de neutralização, segundo relatório divulgado pela OMS nesta terça-feira (11).


Para chegar a qualquer conclusão, porém, mais estudos e resultados ainda são necessários. Portanto, possíveis impactos da B.1.617 sobre a eficácia de vacinas permanecem incertos; afirma o documento.


Fonte: Revista Galileu

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