Convulsão febril na infância ligada a epilepsia e a transtornos psíquicos

Convulsões febris recorrentes em crianças estão associadas a um risco elevado de epilepsia e transtornos psiquiátricos, com aumento da mortalidade entre as que evoluem com epilepsia, segundo os resultados de um estudo publicado on-line em outubro no periódico JAMA Pediatrics.

As convulsões febris acometem de 2% a 3% das crianças entre três meses e cinco anos de idade. Crianças mais jovens no primeiro evento, com febre baixa e de curta duração no início da convulsão e/ou com história familiar de convulsão febril, provavelmente sofrerão convulsão subsequente.

Estudos em pequena escala associaram a recorrência das convulsões a epilepsia e a certos transtornos psiquiátricos, como esquizofrenia, transtornos de humor e transtornos de personalidade. Mas os efeitos em longo prazo das convulsões recorrentes não foram estudados em grandes populações.

A Dra. Julie Werenberg Dreier, Ph.D., da Aarhus University, na Dinamarca, e colaboradores abordaram essa preocupação em um estudo de coorte de base populacional com 2.103.232 crianças nascidas de gestações únicas entre 1977 e 2011, usando dados do Danish Civil Registration System. Eles calcularam o risco de recorrência de convulsão febril e verificaram os prontuários dos pacientes para determinar se as convulsões foram associadas à evolução com epilepsia, transtornos psiquiátricos e morte em longo prazo.

As crianças mais novas tinham três meses de idade. Cada criança foi acompanhada por pelo menos cinco anos.

Das crianças incluídas no estudo, 75.593 (3,6%) receberam o diagnóstico da primeira convulsão febril entre 1977 e 2016. Os eventos foram mais comuns em meninos (3,9%) do que em meninas (3,3%), mas os riscos de convulsão febril recorrente, epilepsia, transtornos psiquiátricos e morte foram semelhantes entre meninos e meninas.

O risco de convulsões febris adicionais aumentou com o número: 3,6% ao nascimento; 22,7% após a primeira convulsão febril; 35,6% após a segunda convulsão febril e 43,5% após a terceira convulsão febril.

Dois anos de idade parece ser um ponto crítico, com o risco mais elevado de convulsão febril recorrente quando as primeiras ocorreram antes dessa idade.

O risco de recorrência foi de 26,4% quando a primeira convulsão febril ocorreu antes dos dois anos de idade, mas apenas 11,8% quando a primeira convulsão ocorreu após os dois anos de idade. O risco de recorrência subiu para 61,3% nas crianças que foram internadas três vezes por convulsões febris antes de dois anos de idade.

O risco de epilepsia aumentou com o número de convulsões febris e internações hospitalares. A incidência cumulativa de epilepsia em 30 anos foi de 2,2% ao nascimento; 6,4% após a primeira convulsão febril; 10,8% após a segunda convulsão febril e atingiu 15,8% após a terceira convulsão.

O risco de transtornos psiquiátricos também aumentou ao longo do tempo com o número de convulsões febris, de 17,2% no nascimento para 29,1% após a terceira convulsão febril.

A mortalidade foi maior nas crianças com convulsão febril recorrente, de 1% ao nascimento para 1,9% após a terceira crise febril. As crianças que mais tarde evoluíram com epilepsia tiveram maior risco de morte.

Os pesquisadores concluíram que, em razão da história de convulsão febril recorrente estar associada a um risco elevado de epilepsia e doença psiquiátrica, e a um aumento da mortalidade nas crianças que evoluem com epilepsia, “os pais e os profissionais de saúde devem estar cientes dos sinais e sintomas precoces da epilepsia e transtornos psiquiátricos nas crianças com história de convulsão febril, e especialmente nas crianças com convulsão febril recorrente, para garantir a detecção e o tratamento precoces dessas afecções”.

Uma limitação do estudo foi a alteração dos critérios de inclusão dos prontuários consultados, o que prejudicou a comparação entre os grupos estudados. Especificamente, em 1995, o sistema dinamarquês de prontuários começou a incluir os casos de convulsão febril em ambulatórios e serviços de emergência, após os quais o risco de epilepsia caiu, talvez refletindo a inclusão de casos menos graves. Os prontuários psiquiátricos também passaram a incluir dados ambulatoriais e, então, o diagnóstico de doenças psiquiátricas aumentou. O total de internações por convulsão febril aumentou na Dinamarca ao longo do tempo em comparação com os Estados Unidos e algumas outras nações, mas não se considerarem apenas os diagnósticos durante internação hospitalar.

Fonte: Medscape

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