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Contra onda de vape, escolas dos EUA usam tecnologia de vigilância para castigar alunos



Quando a estudante Aaliyah Iglesias foi pega fumando cigarro eletrônico em uma escola no Texas, nos Estados Unidos, ela não imaginou o que poderia acontecer.


De uma hora para outra, seu trajetória no ensino médio— que incluía ser presidente do Conselho Estudantil, capitã da equipe de debates e ter bolsa de estudo — estavam em risco.


Ao ser pega, Iglesias foi enviada para uma escola alternativa por 30 dias, onde os alunos fazem os cursos regulares, mas não frequentam as aulas. E foi informada de que poderia enfrentar acusações criminais.


Assim como milhares de outros estudantes em todo os EUA, ela foi pega fumando na escola por equipamentos de vigilância que as instituições de ensino têm instalado — muitas vezes sem informar os alunos.

Os cigarros eletrônicos inundaram escolas de ensino fundamental e médio dos Estados Unidos. Os dispositivos possuem um vapor contendo concentrações mais elevadas de nicotina do que os cigarros de tabaco.


Escolas em todo o país têm investido milhões de dólares em tecnologia de monitoramento, incluindo verbas federais de ajuda emergencial de combate ao coronavírus para comprar sensores de fumaça.


Esses sensores, com um custo de aproximadamente US$ 1.000 cada (cerca de R$ 4.900), auxiliavam no combate a pandemia, já que conseguem medir a qualidade do ar.


Algumas instituições também emparelharam câmeras de vigilância aos sensores. Dessa forma, quando o sensor é ativado, as câmeras capturam os estudantes saindo do banheiro, por exemplo.

Aaliyah Iglesias se formou em maio em sua escola, e só descobriu que havia sensores na instituição de ensino depois que um supervisor entrou no banheiro enquanto ela usava o cigarro eletrônico. "Fiquei pasma", disse.


O episódio que gerou a punição à estudante ocorreu em outra escola do Texas, a Athens High School, onde sua equipe de debate estava competindo em fevereiro. Iglesias foi ao banheiro fumar e, mais tarde, seu treinador disse que ela havia sido pega.


Iglesias foi imediatamente retirada do torneio, e seu treinador disse que Aaliyah poderia enfrentar acusações porque já tinha 18 anos, idade de maioridade penal nos EUA. Ela foi enviada à escola alternativa porque era a punição mínima para alunos pegos fumando.


Os estudantes pegos usando cigarro eletrônico também podem receber uma citação criminal de contravenção e ser multados em até US$ 100 (cerca de R$ 496). Estudantes com vapes contendo THC — substância psicoativa encontrada na planta da cannabis — podem ser presos.

“Os sensores têm sido eficientes na detecção quando os alunos estão usando vape, permitindo-nos resolver o problema imediatamente”, afirmou uma instituição de ensino consultada pela agência de notícias Associated Press.


As consequências para Aaliyah foram:


  • renunciar ao cargo de presidente do Conselho Estudantil;

  • deixar o posto de capitã;

  • sair da National Honor Society, instituição que reconhece os estudantes que se destacam em assuntos escolares.


Mesmo assim, ela ainda pôde fazer a formatura e permanecer na maioria de seus clubes estudantis, bem como manteve sua bolsa de estudos e agora estuda na faculdade Tyler Junior College.


"Nunca mais farei algo assim, porque as repercussões que enfrentei foram horríveis", afirmou a estudante. "[Mesmo assim], as pessoas que fazem estas políticas e implementam estas coisas sentam-se numa sala e não andam pelos campi, nem veem se os resultados da ideia são eficazes".

Venda dos sensores


Os sensores não têm câmeras nem gravam áudio, mas podem detectar aumentos de ruído no banheiro de uma escola e "enviar um alerta de texto aos funcionários da escola", disse Rick Cadiz, vice-da HALO Smart Sensors, que vende 90% a 95% dos seus sensores para escolas.


“Com o sensor, é possível combater a Covid-19 nas escolas e criar um ambiente de trabalho e aprendizado seguro, ao mesmo tempo que colhe os benefícios da detecção de vapor [do vape]”, afirmou a empresa.

Agora, os sensores são vendidos para detectar fumaça do cigarro eletrônico e também para monitorar sons como tiros ou palavras-chave que indiquem possível prática de bullying.


O vice-presidente da HALO disse estar ciente das preocupações com a privacidade em torno dos sensores. “[Mesmo assim], tudo o que estamos fazendo é alertar que algo está acontecendo. Você [só] precisa de alguém para investigar o ocorrido, após o alerta ser emitido.”


Estudantes x escolas


Pelas redes sociais, estudantes de todo o país têm descrito formas de enganar os sensores. Alguns relatam cobri-los com filme plástico, enquanto outros dizem que sopram a fumaça nas roupas.


E mesmo que algumas "saídas" não sejam tão eficazes, os aparelhos de monitoramento disparavam com tanta frequência que os supervisores das instituições achavam que era inútil revisar as imagens de segurança todas às vezes.


Tanto que, na Coppell Independent School District, no Texas, por exemplo, os sensores fazem parte de uma estratégia de prevenção que inclui vídeos educativos e uma linha de denúncias. E, além disso, os estudantes podem receber US$ 50 por denunciarem colegas que usam vape.


"Eles estavam se entregando a torto e a direito”, disse Jennifer Villines, diretora distrital de serviços para estudantes e funcionários.

Fonte: G1


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