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Consumo de maconha na adolescência pode afetar fertilidade entre mulheres de forma permanente



Em um novo estudo da Universidade da Califórnia Irvine (UCI), pesquisadores descobriram que a exposição ao composto tetrahidrocanabinol (THC), um componente da cannabis, em mulheres na adolescência pode reduzir em quase 50% o número de folículos ovarianos saudáveis ​​na idade adulta.

O estudo, publicado na revista científica Toxicological Sciences, mostra que o uso de cannabis no início da vida de uma mulher pode ter efeitos de longo prazo em sua capacidade de gerar filhos. "Dado que cada vez mais adolescentes e jovens adultos estão usando cannabis, especialmente com acesso mais fácil à substância, as descobertas deste estudo são especialmente importantes", disse a principal autora do estudo Ulrike Luderer, professora de saúde ambiental e ocupacional no Programa UCI em Saúde Pública, em comunicado. "É imperativo divulgar amplamente as consequências da exposição precoce à cannabis na saúde reprodutiva na idade adulta."

Aproximadamente 3,3 milhões de adolescentes de 12 a 17 anos e 4,8 milhões de pessoas com 12 anos ou mais relataram usar maconha nos Estados Unidos, com base em uma pesquisa de 2019. Até este momento, poucos estudos foram realizados que demonstrem os impactos negativos do uso de cannabis na saúde pública a longo prazo, e ainda mais obscuras são as implicações na saúde reprodutiva das mulheres.

"É imperativo divulgar amplamente as consequências da exposição precoce à cannabis na saúde reprodutiva na idade adulta", alerta a professora e pesquisadora.

A equipe de pesquisa usou um modelo de camundongo para testar sua hipótese de que o THC pode causar efeitos adversos à saúde na idade adulta. Eles começaram injetando THC em camundongos imaturos por um período de duas semanas e avaliaram os efeitos em seus modelos em diferentes períodos de tempo após a injeção. Eles descobriram que o número de folículos ovarianos saudáveis ​​diminuiu quase 50% nos folículos primordiais, que são as unidades reprodutivas fundamentais do ovário e que não são renováveis.

Os pesquisadores suspeitam que a queda dramática no número de folículos ovarianos foi causada pela ativação acelerada de folículos em repouso, seguida pela morte de folículos associada a danos no DNA em estágios posteriores de desenvolvimento. Esses efeitos provavelmente são mediados pelo sistema endocanabinóide (ECS), um complexo de sinalização que atende a uma vasta gama de funções corporais em mamíferos. Em consonância com isso, os pesquisadores também descobriram que as proteínas componentes do ECS chamadas receptores canabinóides tipo 1 (CB1R) e tipo 2 (CB2R), que o THC e seus metabólitos ativam, estão presentes nos folículos ovarianos.

"Nossas descobertas fornecem novos insights inesperados sobre o impacto de longo prazo do THC na função reprodutiva e no envelhecimento", afirma o coautor Daniele Piomelli, professor de anatomia e neurobiologia na Escola de Medicina da UCI, em comunicado. "Nossa esperança é que nossas descobertas motivem as adolescentes a tomar decisões melhores e mais informadas sobre a ingestão ou não de produtos de cannabis".


Fonte: O Globo

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