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Como sangue e saliva podem apontar metástase do câncer de cabeça e pescoço, segundo cientistas



Pesquisadoras do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), identificaram proteínas em amostras de tecido, sangue e saliva associadas à metástase do câncer de cabeça e pescoço. A descoberta abre portas para o desenvolvimento de exames menos invasivos no futuro.


De acordo com a coordenadora do estudo, Adriana Franco Paes Leme, o diagnóstico deste tipo de tumor geralmente é feito de forma tardia, o que leva a menores chances de sobrevida. O uso do indicador na rotina clínica permitiria, por exemplo, a definição de tratamentos mais personalizados. "Para casos avançados, 50% dos pacientes, em média, morrem em cinco anos. É uma estatística ruim, difícil. Nosso papel foi trazer a possibilidade de descobrir marcadores que ajudem o oncologista a definir o melhor tratamento para o paciente", afirma Leme. O câncer de cabeça e pescoço inclui tumores malignos que podem aparecer na boca, faringe, laringe, nariz, seios paranasais, tireoide e glândulas salivares. O cenário é agravado quando os gânglios linfáticos são atingidos pela metástase, o que acontece em 75% dos pacientes.

"Muitas vezes a metástase está oculta e não é possível detectar. Eles têm que tirar todos os linfonodos do pescoço, olhar um por um para o patologista detectar e falar: 'aqui tem metástase'", detalha a coordenadora. 🔬 Como foi feito o estudo?

  • Os pacientes foram divididos em grupos com e sem metástase (quando o câncer se espalha para outras partes do corpo);

  • As pesquisadoras, então, analisaram as amostras coletadas em busca de marcadores da metástase;

  • Como o câncer é uma doença sistêmica, foram analisadas células do tumor primário, mas também dos linfonodos, do sangue e da saliva em busca de alterações;

  • A partir disso, foi possível traçar um perfil de proteínas associadas aos casos de metástase com a ajuda da técnica de machine learning;

  • Futuramente, o conjunto de proteínas identificado no estudo pode ajudar oncologistas a identificarem o melhor tratamento para a doença.

"Pacientes que têm metástase têm menor abundância dessas proteínas. São relacionadas principalmente com o sistema imune e processamento de RNA, e encontramos elas sempre diminuídas no paciente que tem metástase", explica Ariane Fidelis Busso Lopes, coautora do estudo e pesquisadora no Laboratório Nacional de Biociências (LNBio-CNPEM). 🩺 Do laboratório ao consultório Para que o uso na rotina clínica se transforme em realidade, há projetos paralelos em andamento e que apostam em duas estratégias: a proteômica, que é considerada menos acessível pelo custo dos equipamentos, e a de biossensores.

"Queremos chegar no exame em que o oncologista vai pedir para o paciente fazer um painel que será composto por algumas proteínas que estão associadas à metástase linfonodal. Ele vai ser submetido a tratamento diferente e não vai precisar do esvaziamento cervical", projeta Lopes.

Além das pesquisadoras do CNPEM, o estudo também teve colaborações do A.C. Camargo Cancer Center, da Faculdade de Medicina de Jundiaí, do Hospital Israelita Albert Einstein, Inca, Icesp, Universidades de Talca e Los Andes (Chile), Unicamp e USP. 🚬 Riscos, sintomas e prevenção Adriana Leme reforça que o câncer de cabeça e pescoço é o sétimo mais frequente no mundo; o quinto mais frequente no Brasil, se considerados tumores de cavidade oral e laringe; e o quarto mais frequente em homens somente em cavidade oral. De acordo com o Ministério da Saúde, o consumo de tabaco aumenta em até cinco vezes a chance de desenvolvimento da doença. Outros agravantes são o consumo de álcool e a infecção pelo vírus HPV.

Como formas de prevenção, é recomendado:

  • Não fumar;

  • Evitar consumo de bebidas alcoólicas;

  • Utilizar preservativos também durante o sexo oral;

  • Manter bons hábitos alimentares.

Além disso, é importante estar atento aos primeiros sinais e sintomas desse tipo de tumor, que incluem:

  • Aparecimento de um nódulo no pescoço;

  • Ferida na cavidade oral que não cicatriza em até 15 dias;

  • Dor de garganta que não melhora;

  • Dificuldade para engolir

  • Alterações na voz ou rouquidão.


Fonte: G1

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