Como a cura do câncer de um homem com covid-19 faz justiça a um médico do século 19



Olha que curioso: segundo o British Journal of Hematology, um paciente que possuia linfoma de Hodgkin, um tipo de câncer que ataca o sistema imunológico, foi curado da doença graças ao novo coronavírus. Segundo os exames, após contrair a covid-19, o homem retornou para fazer um novo acompanhamento do estado de seus tumores. Ele descobriu que os nódulos haviam desaparecido.


Conforme mostrou matéria da BBC Brasil, o paciente de 61 anos estava sofrendo com uma inflamação nos gânglios e recebia hemodiálise após ter tipo um transplante de rim malsucedido. Depois, foi constatado que ele tinha linfoma de Hodgkin clássico em estágio III, um tipo comum de câncer no sistema imunológico.


Logo depois de receber a notícia de que estava com câncer, o paciente britânico foi diagnosticado, em um teste PCR, que estava com o novo coronavírus. Com falta de ar, ele não teve agravamento do quadro e não recebeu tratamento de corticosóides ou imunoquimioterapia.

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Quatro meses depois, o inchaço nos gânglios havia sido reduzido e um PET Scan revelou que os tumores haviam desaparecido do local. A hipótese é que o sistema imune que agiu contra o coronavírus acabou confundindo o vírus com o câncer e acabou atacando o câncer também.


Um tratamento antigo


A ideia de que a própria imunidade do corpo pode combater um câncer é antiga e, na verdade, já era posta em prática desde o século 19. O médico William Coley já realizava um tratamento similar naquela época. Com toxinas e bactérias, o médico ‘infectava‘ os pacientes com câncer para, em seguida, ‘enganar‘ o sistema imune dos doentes. Assim, os glóbulos brancos atuavam contra os tumores e as bactérias.


“Este médico descobriu que pacientes com câncer que também tiveram uma infecção responderam melhor do que pacientes sem infecção. Coley acreditava que a infecção estimulava o sistema imunológico a lutar contra o câncer e então desenvolveu um coquetel de bactérias Streptococcus pyogenes e Serratia marcescens, que injetava diretamente no tumor”, explica o professor de Microbiologia Ignacio Lopez-Goñi da Universidade de Navarra ao The Conversation.

“No entanto, as críticas e principalmente o sucesso dos novos tratamentos de quimioterapia e radioterapia fizeram com que as toxinas de Coley caíssem no esquecimento. No entanto, agora foi provado que o princípio básico do tratamento de Coley estava correto e que alguns tipos de câncer são sensíveis a um estímulo do sistema imunológico”, completa. Agora, o caso do paciente britânico reforça a tese de Coley.


Fonte: Hypeness

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