Com Parkinson há quase 10 anos, paciente ganha 1° marcapasso cerebral em Rondônia

Comer, caminhar e vestir-se são atividades rotineiras aparentemente fáceis, mas seu Antônio Marques, de 68 anos, não conseguia fazê-las sozinho há quase uma década. Ele é um dos 200 mil brasileiros que vivem com Parkinson. Uma doença ainda sem cura que causa tremor, lentidão e rigidez.

Para acabar com os tremores, neste mês de dezembro seu Antônio passou por uma cirurgia inédita em Rondônia: a implantação de um marcapasso cerebral através do Sistema Único de Saúde (SUS).

Os resultados da implantação do eletrodo foram quase instantâneos, como mostra o vídeo feito antes e depois da cirurgia em Porto VelhoNo início Antônio mexe a mão lentamente com dificuldades; na sequência já mais veloz.

O procedimento é conhecido como deep brain stimulation (DBS), isto é, uma estimulação cerebral profunda, considerada uma das melhores opções para quem sofre de Parkinson, pois controla os sintomas para devolver qualidade de vida ao paciente.

Dra. Rafaela Rezende, fazendo curativos em Antônio Marques, primeiro a fazer cirurgia de marca-passo cerebral em RO — Foto: Ana Kézia Gomes/G1

Uma semana depois de receber alta, Antônio voltou para consulta e desta vez não precisou da ajuda das filhas para sair do carro e caminhou pelos corredores do hospital com sorriso estampado no rosto. “Olha estou controlando o tremor”, foi a primeira frase que ele disse ao ver a dra. Rafaela Rezende, neurologista responsável pela cirurgia. Ela acompanha seu Antônio há mais de 1 ano.

“No caso dele o que mais melhorou foi a rigidez. Ele não conseguia colocar a bermuda, andava arrastando o pé. E agora já consegue comer com garfo”, comemora a médica.

Convivendo com o Parkinson

Antônio Marques e a família durante consulta em Porto Velho — Foto: Ana Kézia Gomes/G1

Seu Antônio trabalhava em um restaurante, era muito ativo, casado e pai de três filhos. Há cerca de 10 anos, com a chegada da doença, a rotina da família mudou completamente.

“Quando recebi o diagnóstico fiquei muito preocupado porque o doutor falou que não tinha cura, mas graças a Deus agora estou me recuperando. Não tenho mais dor. Minha rotina antigamente era só comer e dormir porque o remédio era muito forte. Agora eu já consigo ficar acordado”, diz.

Para a família a cirurgia foi um misto de esperança e apreensão. Há sete meses seu Antônio perdeu a esposa para o câncer e, com os riscos do procedimento, as oito horas de espera do lado de fora da sala de cirurgia foram “uma prova de fé”.

“Deus levou minha mãe, mas devolveu a vida do meu pai”, comenta Cristine, uma das filhas de Antônio.

O neto, Samuel, tem 10 anos e acompanha com orgulho a recuperação do avô.

“Antes a gente tinha que lembrar meu vô de tomar o remédio e agora ele mesmo lembra. Antes ele não saia de casa porque tinha vergonha da doença, agora ele sai de boa. Eu tô muito feliz”, diz Samuel.

Antônio Marques chegando de carro na consulta em Porto Velho — Foto: Ana Kézia Gomes/G1

O procedimento

Segundo a neurologista Rafaela Rezende, a implantação do marcapasso cerebral é uma alternativa para outra cirurgia de Parkinson: a ablativa, já feita no estado. A principal diferença entre elas é que uma é reversível e a outra não.

“Uma eu entro e queimo [ablativa] e, mesmo sendo bem segura, se der complicação não tem como reverter. A outra [marcapasso] tem como ir ajustando, diminuir ou aumentar a terapia”, explica a médica.

No caso de Antônio ele já era acompanhado por um neuroclínico, que o encaminhou à neurocirurgia.

Todo o procedimento durou 8 horas. Primeiro ele passou por um scalp block, que é um bloqueio da cabeça para não sentir dor. Então os médicos colocaram um arco e o levaram para tomografia.

Adiante a equipe fundiu a ressonância, feita anteriormente com a tomografia, para saber o tamanho real da cabeça. Após isso eles souberam as coordenadas que deveriam seguir durante a cirurgia.

Na primeira parte dela fixa-se a cabeça e coloca o eletrodo. Depois começam os testes para estímulo e mapeamento. Então aplica-se a anestesia geral e, por baixo da pele, coloca-se o gerador.

O mal de Parkinson

Lentidão dos movimentos é o sintoma principal do Parkinson — Foto: Arte/TV Globo

A doença não tem cura, mas tratamento. O sintoma principal do Parkinson, mais marcante, é a lentidão dos movimentos – a pessoa passa a ter lentidão para movimentar os braços, caminhar, levantar da cadeira, a voz também fica diferente. Além disso, também existe a rigidez muscular, o desequilíbrio e o sintoma mais famoso, que todo mundo associa ao Parkinson: tremor nos braços.

As principais causas podem ser desconhecidas, genéticas ou relacionadas a acidentes ou condições externas.

A doença de Parkinson não tem prevenção, mas algumas atitudes podem minimizar o risco, como a atividade física.

Fonte: G1

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