Com falta de recursos, hospital de combate ao câncer de Piracicaba pode suspender atendimentos


 
 

A Associação Ilumina, que administra um hospital de combate ao câncer em Piracicaba (SP), informou nesta sexta-feira (7) que pode suspender novamente os atendimentos devido a problemas financeiros, a partir de 18 de janeiro. O foco principal do atendimento do grupo é rastreamento e tratamento precoce da doença.


A entidade já havia interrompido as atividades por uma semana, em outubro de 2021, devido à mesma situação, e depois voltou a atender com metade da capacidade.

A Ilumina critica a decisão da prefeitura em encerrar um convênio que mantinha com o hospital e diz que a administração municipal tem retido verbas de emendas parlamentares destinadas à entidade e que chegam, inicialmente, pelos cofres municipais. O grupo aponta que atende, atualmente, mais de dois mil pacientes das regiões de Piracicaba e de Campinas (SP) por mês. Além do hospital, a associação mantém uma carreta para procedimentos itinerantes e um centro de educação.

Sem recursos para pagar os pouco mais de 50 funcionários de uma folha que já foi reduzida em 60%, o hospital estava ameaçado de parar temporariamente já a partir de sexta-feira (8). Mas, segundo a diretoria, os funcionários informaram que estão dispostos a continuar trabalhando até o dia 17, na esperança de receber seus salários atrasados. Além disso, se dispuseram a convidar amigos e parentes para ajudar no trabalho voluntário durante esse período.

“Os colaboradores demonstraram que têm compromisso com a população e confiança de que a Secretaria Municipal de Saúde reativará o convênio e repassará os recursos das emendas, que pertencem ao Ilumina”, destacou Adriana Brasil, presidente do conselho de administração, em nota. Verbas de emendas parlamentares A Ilumina diz que a Secretaria Municipal de Saúde recebeu há mais de seis meses R$ 344 mil em emendas de dois deputados federais destinados à entidade, mas os recursos continuam retidos nos cofres municipais.

Em maio de 2021, a associação chegou a acionar a Justiça para que a prefeitura liberasse R$ 700 mil que tinham sido repassados por meio de deputados, mas em outubro afirmou que o poder público municipal vinha contribuindo com a para agilização desses procedimentos.

Segundo a entidade, o custo para manutenção dos serviços é de R$ 500 mil por mês, mas a renda recorrente atual é de R$ 100 mil.

Questionada pelo g1 sobre o fim do convênio e o relato de retenção de recursos na sexta-feira, a Secretaria Municipal de Saúde não se manifestou até a última atualização desta reportagem.

Em sua última resposta ao g1, em 30 de outubro, apontou que o contrato com a Ilumina se encerraria no dia seguinte. "Após essa data, a pasta aguarda o recebimento da prestação de contas pela instituição, e só então decidirá sobre a continuidade do convênio em questão", informou, à época.

No mesmo mês, a administração já tinha informado que tinha repassado pouco mais de R$ 1,3 milhão para a unidade de saúde em 2021 e faltava repassar R$ 285,8 mil, o que só poderia ser feito mediante prestação de contas do hospital. A prefeitura disse, ainda, que todos os valores repassados pela prefeitura à entidade são feitos de acordo com as metas estabelecidas pelo plano de trabalho aprovado pela entidade junto ao município, e que estas metas devem ser cumpridas, apresentadas e aprovadas pelo Conselho Municipal de Saúde e, também, pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP).

Já a entidade diz que todos estes resultados foram apresentados em prestação de contas, em novembro, quando nenhum membro da secretaria participou. Campanha e novo mutirão Para tentar seguir com as atividades, a associação realiza a campanha “Eu quero ter um milhão de amigos”, na qual solicita doações a partir de R$ 9. Detalhes de como doar podem ser conferidos no site oficial da entidade. A Ilumina também comunicou que, como demonstração de solidariedade com pacientes que estão em filas de espera por procedimentos na rede municipal, passou a oferecer gratuitamente desde sexta-feira (08), em sua carreta no pátio do hospital, no bairro Taquaral, os seguintes exames:

  • Mamografia: 500 vagas

  • Ultrassom: 30 vagas (precisa apresentar pedido médico)

  • Consulta de mastologia: 8 vagas

O agendamento deve ser feito pelo WhatsApp do Hospital 19-98369-0944 ou pelo telefone (19) 3429-8860.

Para os exames de mamografia, podem agendar todas as mulheres com idades entre 40 e 69 anos que não tenham realizado o exame no último ano. Estrutura O hospital atende por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Em seus dois anos de operação foram atendidas 128 mil pessoas, realizados 55 mil exames e identificados tipos de câncer em estágio inicial em cerca de 880 delas com câncer inicial, segundo a associação. Dessas, 600 se recuperaram.

Também conforme a entidade, o custo com o diagnóstico e tratamento precoce é 17 vezes menor do que em casos avançados.


Fonte: G1

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