Cinco laboratórios privados concentram quase metade dos testes de Covid-19 no Brasil



O Ministério da Saúde informou nessa terça-feira (26) que quase a metade dos testes de Covid-19 realizados no Brasil estão concentrados em apenas cinco laboratórios da rede privada. Dos 871.839 exames realizados no país, ao menos 411.737 (47,2%) foram feitos em clínicas particulares.


O Sistema Único de Saúde (SUS) foi responsável pela aplicação de outros 460.102 exames do tipo PCR – que identifica a presença ativa do novo coronavírus no corpo. Até o momento, o país aplicou o equivalente a 4.252 desses exames a cada 1 milhão de habitantes.

"O Brasil está conseguindo alcançar um certo nível de testagens, não ainda o ideal, mas um nível adequado de testagens", disse em entrevista coletiva, Eduardo Macário, secretário substituto de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

Macário disse considerar que "boa parte dos casos suspeitos", daqueles que dão entrada nas unidades de saúde do Brasil, são testados. Segundo a pasta, ao menos 27% dos testes aplicados no país têm resultado positivo para coronavírus. Cuidado com amostragem O professor de microbiologia da Universidade de São Paulo (USP) Daniel Lahr disse ao G1 que o baixo número de testes, além de dificultar a preparação de uma resposta à epidemia pode trazer uma amostragem incorreta da população infectada.

"Se os diagnósticos ficarem concentrados em uma região ou classe social pode dar um falso entendimento de que a curva da epidemia esteja descendente enquanto casos não testados, que não chegam a buscar tratamento avançam em zonas menos atendidas", disse o pesquisador. Lahr comentou que a divisão de testes na rede privada e na rede pública podem estar relacionadas com a trajetória da Covid-19 no Brasil, que inicialmente foi mais presente em populações mais ricas que tendem a usar os serviços privados de saúde.

Ele também reforçou que o baixo número de testes aplicados no país dificulta entender a "verdadeira dimensão da doença". Segundo ele, é a partir desses resultados que se pode determinar uma resposta adequada à doença e fazer a projeção das curvas desta epidemia. Existem, basicamente, dois tipos de testes para o diagnóstico da Covid-19. No primeiro deles, o PCR, é colocado um cotonete na boca ou no nariz da pessoa que vai ser testada. Depois, essa amostra é examinada em laboratório, e o teste consegue dizer se o vírus está ou não ali. Ele leva cerca de 4 horas para mostrar o resultado. O teste PCR é considerado o melhor tipo para diagnosticar a Covid-19, porque consegue detectar o vírus logo no começo da doença. Além disso, ele é capaz de encontrar o material genético do vírus, por isso, é difícil que a pessoa receba um resultado errado se estiver nos primeiros dias da Covid-19. Os outros tipos de testes são os de anticorpos, os chamados "testes rápidos". Esses são mais fáceis de fazer: com uma picada no dedo da pessoa que vai ser testada para retirar a amostra de sangue.

Essa amostra é colocada em uma máquina que vai mostrar, em poucos minutos (de 10 a 30, a depender do fabricante), se a pessoa tem anticorpos para o vírus. Esses anticorpos são produzidos pelo próprio corpo para se defender da doença: se a pessoa tem, significa que ela já foi infectada.


Fonte: G1

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