Cidade de SP tem 209 mil pessoas com 2ª dose atrasada; imunizados relatam alívio com segunda dose


A capital paulista está com 82% da população adulta vacinada com a primeira dose contra a Covid-19, segundo dados da prefeitura, mas, quando falamos da segunda dose necessária para completar a imunização, a adesão ainda deixa a desejar. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, 209.033 pessoas estão com a segunda aplicação da vacina atrasada na cidade e, por isso, organizou para este sábado (31) um mutirão para a imunização apenas deste público.


Tomar a segunda dose do imunizante é importante porque garante a eficácia da vacina. A maioria dos imunizantes precisa de duas aplicações para o esquema vacinal completo. A exceção é a vacina da Johnson.

O estado de São Paulo registrou na quinta-feira (29) média diária de mortes por Covid-19 abaixo de 300 pela primeira vez em mais de quatro meses. Os indicadores da pandemia estão caindo em consequência do avanço da vacinação, mas ainda estão em patamar elevado.

O G1 conversou com Andrea Aparecida Teixeira de Arruda, Maria Yeda Zeidan Rodrigues e Gizelda Rosa do Bonfim, que já estão totalmente imunizadas contra a Covid-19 e relatam uma injeção de esperança ao receber a segunda dose. Confira abaixo: ‘Ganhei mais força de vontade de viver, de lutar' “De repente, foi como se esperança fosse injetada no meu organismo, você ganha mais força de vontade para viver”, conta a psicóloga Andrea Aparecida Teixeira de Arruda, de 46 anos, sobre a sensação após ter tomado a segunda dose da vacina contra a Covid-19. “Estou autoimune. Tomar a vacina, para mim, foi importante porque sou da área da saúde mental, não parei de trabalhar, a gente sabe que o índice de transtornos aumentou por conta do isolamento social.”

Ela, que mora na capital paulista, conta que as mudanças vindas com a imunização foram, principalmente, mentais. “Fiquei muito feliz, mudou a minha cabeça. Porque, quando você se depara com uma doença dessas e, de repente, tem esperança injetada no seu organismo, parece que você ganha mais força de vontade de viver, de lutar, de impulsionar as outras pessoas.” Uma dessas mudanças foi a forma como passou a encarar o dia a dia, ainda que de máscara e evitando aglomerações. ”Já alterei coisas na minha rotina, voltei a estudar, coloquei cores no meu consultório, atendo com mais vivacidade meus pacientes.”

“Quando a gente fica autoimune, não pode perder a consciência de que você pode pegar a doença, embora não deva sentir tanto os sintomas. E pode também transmitir para os outros. Não podemos perder o compromisso com o próximo, mas podemos transmitir otimismo”, afirma.

A pandemia modificou a forma como Andrea trabalha, fez com que ela também ajudasse mais pessoas, seja ao fazer lives em redes sociais sobre como evitar a depressão e lidar com ela, seja ao produzir e doar máscaras de tecido a hospitais, com o apoio de amigos empresários, da sogra e do filho. E ela conta que a vacina veio coroar essa percepção.

“Hoje, olho diferente para as pessoas. Vamos escutar o próximo, perceber o que realmente ele está precisando. A gente tem de fortalecer nossa empatia e também a resiliência. Há uma luz no fim do túnel, sim.” 'A vacina vai devolver minha independência' Se tem uma coisa que Maria Yeda Zeidan Rodrigues, de 74 anos, não suporta, é depender de alguém. E foi justamente isso o que a pandemia fez com ela, conta a aposentada que mora na Zona Leste da cidade de São Paulo. “Não posso nem comprar meus remédios nem ir ao mercado, dependo da minha filha para tudo, me sinto uma inútil. Eu não nasci para ser dependente de filho. A vacina vai devolver a minha independência, roubada pela pandemia”, afirma. Yeda tomou a segunda dose da vacina contra a Covid-19 e anseia pela retomada da independência, que vai ocorrer aos poucos.

“Fico cansada de só ver TV, mexer no celular e olhar pela janela. Quero sair um pouco de casa e resolver minhas coisas. Às vezes, arrumo e desarrumo a mesma gaveta para ter o que fazer.


Agora, posso ir ao mercado, à farmácia… O que eu queria mesmo era sair e não ter hora pra chegar. Mas não vai ser assim, vou continuar um pouco engaiolada.”

Yeda ganhou uma aliada para aplacar o tédio, enquanto a vacinação não chega para todos: em vez de arrumar e rearrumar gavetas, agora pode costurar com sua máquina. “Vou preencher meus dias fazendo capas de almofadas com retalhos”, planeja.

Ser imunizada é um alívio, conta, mas o impacto psicológico de viver numa pandemia por tanto tempo não muda automaticamente.

“Antes de tomar a vacina, eu tinha muito medo. Medo de sair na rua, medo de ir ao mercado, medo até de levar meu cachorrinho para passear dentro do condomínio. E já vi que o medo continua mesmo tendo tomado a vacina. Parece que tudo isso fica impregnado na gente.” 'Quero viver a vida' A cuidadora de idosos Gizelda Rosa do Bonfim, de 61 anos, se considera uma pessoa de sorte: se emociona ao contar do momento em que recebeu a ligação do posto de saúde dizendo que ela poderia ser vacinada, apesar de ainda não estar em nenhuma das categorias priorizadas pela campanha na cidade de São Paulo.

“Eu fiquei sabendo que algumas doses sobravam, e eles entravam em contato com as pessoas que deixavam o nome na lista. Como sou cuidadora de idosos, logo fui ao posto e deixei meu nome. Dei sorte, me chamaram. Quando tomei a vacina, senti uma emoção muito forte, por ter conseguido. Tem tanta gente na fila… Eu gostaria que tudo fosse diferente e todo mundo pudesse tomar logo, mas está tão difícil”, conta, com a voz embargada.

As lágrimas dão lugar ao sorriso quando conta de seus planos, mesmo que para longo prazo: “É difícil falar de planos no momento, mesmo tendo tomado as duas doses, mas quero viver a vida. Se tudo der certo, quando for seguro, nosso primeiro sonho [dela e da mãe] é fazer a viagem para Poços de Caldas [MG], que estava marcada e não tivemos como fazer nem queremos fazer por enquanto”. “Queremos viver intensamente, como a gente não tinha feito antes. Pensar mais na gente. Eu nunca aproveitei muito, nunca fui de viajar, passear, sempre trabalhei e cuidei dos meus filhos. A pandemia mudou essa forma de ver a vida”, conta. A cuidadora diz que, apesar de ter tomado a segunda dose, sua rotina de cuidados não mudou. “Tem muita gente que toma a segunda dose e acha que não pode mais se contaminar. Eu continuo tomando os mesmos cuidados.”

E completa: “As pessoas precisam tomar mais consciência de tudo isso que está acontecendo e ter muita responsabilidade. Além de acreditar em quem está fazendo as vacinas, acreditar que tudo vai dar certo”.


Fonte: G1

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