Centro de Saúde no Pelourinho amanhece com longas filas e confusão para agendar consultas


Pacientes que buscaram o Centro de Saúde do Pelourinho, em Salvador, encararam longas filas no início da manhã desta quinta-feira (30), para tentar agendar consultas. Houve confusão e denúncia de "vendas de lugares na fila". Teve gente que chegou ainda de madrugada e mesmo assim não conseguiu marcação.


Usuários garantem que lugares marcados com cadeiras são vendidos a R$ 20 e dizem que esta prática é recorrente no local, sem que a prefeitura adote nenhuma providência.

“Quando eu cheguei aqui, encontrei mais de 30 cadeiras ali na frente. Cadeiras de pessoas que geralmente moram pelas redondezas e deixam guardando lugar, para depois vender esse lugar. Um absurdo!", disse Vera Lúcia, que aguardava para tentar marcar consulta com um ginecologista.

Outra mulher que também tentava marcar atendimento com ginecologista, identificada pelo pré-nome Valdelice, contou que chegou ao local por volta das 18h de quarta-feira (29). Para amenizar o cansaço, o marido revezou com ela na fila, durante a madrugada. “É o terceiro mês que venho e não consigo marcar um médico, e olha que moro aqui pertinho. Já tentei em outros postos e não consegui. Me sinto humilhada, sem direito nenhum”, desabafou. De acordo com os pacientes, diariamente são distribuídas cerca de 70 fichas, quantidade que eles consideram insuficiente para atender a demanda.

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) justificou que o grande volume de procura pelo serviço acontece por causa da "demanda reprimida gerada durante a pandemia". Segundo o órgão, muitas pessoas abandonaram o acompanhamento feito na unidade e, com a redução dos casos da Covid-19 na cidade, estão buscando novamente o atendimento no serviço.

A SMS acrescentou que não há necessidade da formação das filas, uma vez que os procedimentos podem ser agendados durante todo mês e no horário de funcionamento do posto, das 8h às 17h, e disse que as longas filas registradas se tratam "de demanda espontânea por parte da população".

Sobre a denúncia de "venda" de lugares na fila, a secretaria não se manifestou, mas destacou que funcionários foram acionados para organizar as filas e a importância do distanciamento entre as pessoas. Problema em Itapuã Aglomeração e filas imensas também foram registradas no início da manhã desta quinta-feira (30), para marcação de consultas, no 7º Centro de Saúde José Mariani, no bairro de Itapuã.

Do mesmo modo que ocorre na unidade na região do Centro Histórico da capital, pacientes dizem que precisam chegar ainda na madrugada para conseguirem uma senha e fazerem o agendamento. “Cheguei aqui 5h20. O pior de tudo é que é uma maratona. Ao chegar, muitas vezes, não tem mais marcação e temos que voltar outro dia”, disse um morador do bairro.

Outra mulher, que buscava consulta ginecológica, contou que tenta o serviço há seis meses e sempre ouve a mesma afirmação: não há vagas. Nesta quinta, mais uma vez, voltou para casa desolada. “A gente paga nossos impostos. É direito nosso ter acesso à saúde e somos tratados assim. Já cansei de chegar e não conseguir senha. A gente é tratado aqui igual a cachorro”, reclamou. A SMS informou também que, devido a alta demanda por consultas e exames, a prefeitura e o governo do estado pretendem acelerar a inauguração de duas policlínicas em Salvador, nos bairros de Escada e Narandiba. Fonte: G1

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