Casos de Covid-19 na África ultrapassam os 100 mil, anuncia OMS



Os casos de Covid-19 no continente africano ultrapassaram os 100 mil, anunciou a Organização Mundial de Saúde (OMS) nesta sexta-feira (22). Ao todo, os 54 países e os dois territórios da região africana tiveram 101.862 casos registrados, segundo boletim da organização.

18 países e um território, o equivalente a 34% da África, têm mais de mil casos da doença. No início do mês, apenas 7 países tinham alcançado essa marca. Apesar de o marco dos 100 mil casos ter sido alcançado, a pandemia parece estar se movendo mais lentamente no continente africano, considerou a OMS: 3.115 pessoas morreram na África até esta sexta-feira (22). Em comparação, quando a Europa registrou 100 mil casos, tinha 4.900 mortes. "Por enquanto, o continente foi poupado do alto número de mortes que devastaram outras regiões do mundo", disse a diretora regional da OMS para a África, Matshidiso Moeti. “É possível que nosso dividendo de jovens esteja compensando e levando a menos mortes. Mas não devemos nos deixar levar pela complacência, pois nossos sistemas de saúde são frágeis e menos capazes de lidar com um aumento repentino de casos", alertou.

Segundo a OMS, o continente africano fez um "progresso significativo" na testagem: cerca de 1,5 milhão de testes foram feitos até agora. Mesmo assim, os níveis de teste continuam baixos e há necessidade de expandir a capacidade. No fim de abril, o chefe do Centro de Controle de Doenças Africano, John Nkengasong, destacou a diferença nas capacidades de testagem entre os países africanos: "A Etiópia fez cerca de 11 mil testes – só 10 para cada 100 mil pessoas", escreveu Nkengasong. "A África do Sul, muito mais rica, fez cerca de 280 para cada 100 mil". Em um artigo na revista "Nature", ele afirmou que a obtenção de reagentes para os kits diagnósticos também era um problema para o continente.

Em entrevista ao G1, o diretor de emergências da OMS para a África, Michel Yao, afirmou que as Ilhas Comores, por exemplo, demoraram a receber os kits diagnósticos porque eles seriam enviados da Europa, mas, por causa da pandemia no próprio continente, houve demora. O país foi um dos últimos a confirmar casos de Covid-19 na região africana.

O Lesoto é o país com menos casos: tem apenas um. O reino, que fica dentro do território da África do Sul (mas é um país soberano), foi a última nação da África a registrar casos de Covid-19, no dia 14 de maio; o primeiro foi o Egito, em 15 de fevereiro. Trabalhadores de saúde infectados Ainda que o avanço seja mais lento que em outros lugares, ponderou a OMS, a pandemia está acelerando: foram necessários 52 dias para o continente registrar os primeiros 10 mil casos, mas apenas 11 dias para sair de 30 para 50 mil registros. Cerca de metade dos países africanos têm transmissão comunitária e mais de 3,4 mil trabalhadores de saúde foram infectados pela Covid-19. “Testar o maior número possível de pessoas e proteger os profissionais de saúde que entram em contato com casos suspeitos e confirmados são aspectos cruciais dessa resposta", afirmou Ahmed Al Mandhari, diretor regional da OMS para o Mediterrâneo Oriental, região que abarca 7 países do continente africano. "Apesar da escassez global, estamos trabalhando duro para priorizar a entrega de kits de teste e equipamentos de proteção individual a países de baixa e média renda que tenham as populações mais vulneráveis, com base no número de casos relatados”, afirmou Al Mandhari. Mortes Das 3.115 mortes na região africana, a maioria ocorreu no Egito: são 696. Em seguida vêm a Argélia, com 575, e a África do Sul, com 369. Apenas 8 dos 54 países (cerca de 15% do continente) não têm mortes: Eritreia, Ilhas Seychelles, Lesoto, Moçambique, Namíbia, República Centro-Africana, Ruanda e Uganda. Outros quatro países – Botsuana, Burundi, Gâmbia e as Ilhas Comores – e um território, Réunion, registraram uma morte cada.


Fonte: G1

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