Caso Pugliesi: psicóloga explica que furar isolamento é traição social

Não demorou nem 24 horas — tempo que um story fica no ar no Instagram— para que Gabriela Pugliesi fosse amplamente rechaçada nas redes sociais, após publicar imagens de uma reunião entre amigos durante o decreto de quarentena. Ela apagou os posts e se desculpou, mas perdeu o patrocínio de pelo menos 10 marcas e tomou puxões de orelha de celebridades, como Tatá Werneck e Emicida.

Como uma das primeiras famosas brasileiras a ser diagnosticada com a covid-19, após a festa de casamento da irmã na Bahia, a musa fitness logo puxou o discurso “estamos todos no mesmo barco” para compartilhar as reflexões proporcionadas pelo isolamento.

Desobedecer ao isolamento pode parecer uma escolha individual, mas mexe profundamente com o ânimo alheio por se tratar do rompimento de um pacto coletivo. É o que explica a psicóloga Débora Genezi: “Cada um vive a crise de um jeito. Mas a crise afeta a todos”. Segundo a especialista, o ato de burlar o isolamento pode ser visto como uma forma de desafiar o senso de controle e escapar da ideia de vulnerabilidade. Mas também provoca um sentimento de afronta pessoal em quem já está vivenciando os efeitos mais graves da crise pandêmica.

“Muitos já tiveram entes queridos gravemente enfermos e falecidos. Esta é uma forte motivação para a militância do movimento ‘fica em casa’. Também é preciso olhar compassivamente para quem denuncia: podem estar enlutados, preocupados, ou podem ser da área da saúde vivenciando o cotidiano caótico numa unidade de terapia intensiva para infectados.”

E eu sinto raiva de todos os meus amigos que desrespeitam o isolamento também, tá? Eu sinto a minha vida e a vida das pessoas que eu amo desrespeitadas, eu sinto a morte do meu pai desrespeitada, sinto um profundo desprezo – e desespero também. Vocês são muito irresponsáveis.

Enquanto tem gente se reunindo com os amigos, eu não pude me reunir com minha família pra me despedir do meu pai. A gente quer acreditar que vamos sair pessoas melhores disso tudo, mas será que vamos? Cada vez mais difícil de achar que sim.

Redes também punem anônimos

Não são apenas os famosos que têm enfrentado a exposição pública como punição por burlar o isolamento social. Uma busca rápida pelo Instagram entrega pelo menos dez perfis intitulados “Vacilos do Covid” em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. As páginas mostram flagras de quem desobedeceu ao isolamento adotado para conter a pandemia do novo coronavírus.

Para explicar o policiamento nas redes sociais, a mestranda em sociologia e consultora da ONU Mulheres Tayná Leite faz um paralelo com a teoria dos micropoderes do filósofo Michel Focault. Na visão dela, a ideia de punição entre os cidadãos impera justamente quando as estruturas sociais se mostram mais frágeis.

“Estamos vivendo a maior crise sanitária e econômica do planeta. É receita perfeita para um ‘salve-se quem puder’. Quanto mais individualistas e menos amálgama social tivermos, mais censura e sede de castigo a sociedade terá.”

Crise dos ídolos

Por se tratar de uma figura que ganha dinheiro com a divulgação de seu estilo de vida, a represália para cima de Gabriela Pugliesi chegou com mais peso. No entanto, o psicólogo Frederico Mattos também chama atenção para as personalidades que elegemos enquanto inspiração, especialmente em tempos de crise. “Se você quer encontrar fontes de sabedoria, maturidade e exemplo a ser seguido, procure outras referências de estilo de vida saudável que inclua as emoções. Nem você se decepciona, nem ela carrega esse peso para si.” 

Fonte: R7

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