Casais que culpam a Covid por problemas são mais felizes, diz pesquisa


O amor é capaz de resistir ao estresse causado pela pandemia? Se o casal culpar o vírus e não um ao outro, aumentam as chances de que sim. É o que indica um estudo norte-americano publicado nesta segunda-feira (21/6) no Social Psychological and Personality Science.


A pandemia de Covid-19 criou circunstâncias sem precedentes para examinar as relações entre condições estressantes externas e o bem-estar dos relacionamentos. De acordo com teorias já verificadas sobre o assunto, fontes de aborrecimento como o estresse no trabalho, o luto e a incerteza financeira, muitas vezes prejudicam a qualidade do relacionamento. No entanto, se os indivíduos conseguem atribuir seus problemas às circunstâncias estressantes em vez de culparem um ao outro, a união tende a ser mais resistente.


Os pesquisadores do Departamento de Desenvolvimento Humano e Ciências da Família da Universidade do Texas, em Austin, analisaram dados coletados entre 191 pessoas recrutadas durante as primeiras semanas da primeira onda de contágio nos Estados Unidos (entre abril e maio de 2020) e novamente sete meses depois na segunda onda naquele país.


Em cada onda, eles mediram até que ponto as pessoas culpavam a si mesmas, a seus parceiros ou à pandemia por seus problemas e dificuldades.


Todas as noites, durante 14 dias, os voluntários preenchiam um pequeno diário antes de dormir, respondendo algumas questões envolvendo situações que ocorreram ao longo do dia. Que tipo de troca eles tiveram com o parceiro naquele dia? Se haviam sido críticos ou impacientes, mesmo que não fosse sua intenção? Se tiveram mais interações negativas? Se estavam se sentindo menos felizes no relacionamento?


Em geral, as mulheres culparam mais a pandemia por seus problemas durante as duas ondas. De acordo com uma das principais autoras do estudo, Lisa Neff, embora a tensão relacional não desaparecesse do contexto, o efeito negativo do estresse era mais fraco entre as pessoas que enxergassem a causa de suas dificuldades relacionais na pandemia.

“É provável que as pessoas devam atribuir seus problemas ao estresse, e não ao parceiro. Mas, na maioria das vezes, as pessoas não agem assim”, disse ela. Em vez disso, tendemos a nos tornar muito mais críticos e muito menos indulgentes com nossos parceiros, em comparação com momentos sem estresse, disse Neff.

Estratégias de convivência

Em situações de grande estresse, o mais recomendado é focar em estratégias que possam ajudar o casal a resolver conflitos. “O diálogo é o melhor caminho”, afirma Mauro Silva Júnior, psicólogo e professor pesquisador da Universidade de Brasília (UnB).


Segundo ele, a situação é complexa. “Os casais agora passam mais tempo convivendo e tem que dividir espaços, competir pelo uso de ambientes ou da televisão e isso gera mais atrito”. Desenvolver a assertividade, isto é, a capacidade de dizer diretamente o que se deseja é uma habilidade importante neste momento.


“Quanto mais tempo durar a pandemia, mais esse estresse vai persistir nas relações. Até porque, não estamos todos no mesmo barco. Estamos todos na mesma tempestade, alguns em um cruzeiro, outros em um barquinho”, compara Mauro.

O psicólogo lembra que existem fatores de estresse entre cônjuges que foram intensificados durante a pandemia, como a divisão de trabalho doméstico e o cuidado com os filhos. “Entrar em acordo e ter atitudes proativas são fundamentais neste contexto”, avalia.


O especialista ressalta ainda que, para além do momento de pandemia do coronavírus, os relacionamentos duradouros, no geral, tendem a chegar em pontos de conflito. “O que faz a diferença para que os casais continuem juntos e satisfeitos parece ter mais a ver com a capacidade de lidar e resolver problemas de maneira satisfatória para ambos, seja um problema pequeno ou uma pandemia”, completa.


Fonte: Metrópoles

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