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Café da manhã, sono e exercício ajudam a 'destravar' a mente e lidar melhor com o estresse, aponta estudo

Adotar hábitos simples do dia a dia, como comer bem pela manhã, dormir o suficiente e se exercitar regularmente, pode ser a chave para enfrentar situações estressantes com mais equilíbrio.


Essa é a conclusão de um novo estudo da Universidade de Binghamton, que associa esses comportamentos ao desenvolvimento da chamada flexibilidade psicológica, uma habilidade essencial para lidar melhor com desafios.


A flexibilidade psicológica é a capacidade de adaptar pensamentos, emoções e comportamentos diante de situações em constante mudança de forma equilibrada e construtiva. Na prática, significa não ficar travado diante do estresse.


Segundo a pesquisadora Lina Begdache, pessoas com essa habilidade conseguem se distanciar emocionalmente de situações difíceis, processar o que estão sentindo e reagir de maneira mais adequada.


Um exemplo é alguém que perde um voo: em vez de entrar em pânico, essa pessoa consegue manter a calma, entender o problema e buscar alternativas, mesmo ainda se sentindo estressada.


🥗 Hábitos simples que fortalecem a mente


O estudo foi realizado com cerca de 400 estudantes universitários e investigou a relação entre alimentação, sono, exercícios físicos e saúde mental.


Os resultados mostram que práticas cotidianas podem influenciar diretamente a flexibilidade psicológica e, consequentemente, a resiliência:


  • Café da manhã frequente: consumir a refeição cinco ou mais vezes por semana está associado a maior resiliência, mediada pela flexibilidade psicológica.

  • Sono adequado: dormir menos de seis horas por noite está ligado a menor flexibilidade e menor capacidade de lidar com o estresse.

  • Exercício físico: praticar atividades por pelo menos 20 minutos por dia está associado a melhorias nessa habilidade.

  • Óleo de peixe: o consumo frequente também pode contribuir para a flexibilidade psicológica.


⚠️ Maus hábitos têm efeito contrário


O estudo também aponta que a baixa flexibilidade psicológica — caracterizada por rigidez no pensamento e dificuldade de adaptação — está associada a comportamentos menos saudáveis. Entre eles estão:


  • Falta de sono.

  • Consumo frequente de fast-food.


Esses fatores podem dificultar a capacidade de lidar com emoções e situações estressantes.


🔄 Como a mente processa o estresse


De acordo com Begdache, a flexibilidade psicológica funciona como um “passo para trás” diante do estresse.


Em vez de se sentir completamente dominada pela situação, a pessoa consegue identificar o que está sentindo e por quê. Esse processo ajuda a encontrar caminhos para lidar melhor com as emoções.


🔍 O elo entre estilo de vida e resiliência


Pesquisas anteriores já indicavam que uma alimentação de melhor qualidade está associada a maior resiliência. No entanto, o novo estudo acrescenta a flexibilidade psicológica como elemento central.


Segundo os autores, não é apenas a dieta ou o estilo de vida que tornam alguém resiliente. Esses fatores atuam ao desenvolver a flexibilidade psicológica. E é essa habilidade que, de fato, fortalece a capacidade de enfrentar o estresse.


O estudo “Fatores dietéticos e de estilo de vida e resiliência: o papel da flexibilidade psicológica como mediadora” foi publicado no Journal of American College Health.


Como o café da manhã influencia no funcionamento do cérebro e no humor ao longo do dia


O médico nutrólogo Durval Ribas Filho destaca que o café da manhã ajuda o organismo a sair do jejum noturno e pode favorecer um início de dia com mais energia, mais estabilidade de glicemia e melhor disposição mental.


Os estudos mostram que, em adultos, ele pode trazer um benefício pequeno, mas consistente, principalmente para a memória, enquanto outros efeitos cognitivos variam mais entre as pessoas.


Além disso, manter o hábito de consumir um café da manhã equilibrado costuma estar associado a uma rotina mais organizada de sono, alimentação e autocuidado, o que também repercute no humor:


“Pular o café da manhã e não repor as energias com uma alimentação equilibrada ao despertar pode levar a uma dificuldade de foco, lentidão mental e certa irritabilidade em lidar com os desafios do dia a dia”, afirma.

Os nutrientes mais associados à melhora da saúde mental e da resposta ao estresse


Os nutrientes mais citados na literatura como associados à melhora da saúde mental e da resposta ao estresse são:


  • ômega-3: encontrado principalmente em peixes gordurosos e frutos do mar, mas também nas nozes, chia e linhaça.

  • folato (vitamina B9), que está presente naturalmente em diversos alimentos, principalmente os de origem vegetal, como espinafre, couve, brócolis, aspargos e alface. O nutriente está presente também em leguminosas e em frutas, como laranja, abacate, banana, mamão e morango. Ele também é adquirido em alimentos como fígado, ovos, sementes (girassol) e amendoim

  • outras vitaminas do complexo B

  • vitamina D: a principal fonte ainda é a exposição ao sol, mas alguns alimentos ajudam bastante, como peixes gordurosos (salmão, sardinha, atum e cavala), ovos (principalmente a gema), leite e derivados, fígado, manteiga e óleo de fígado de bacalhau.

  • magnésio: também encontrado em verduras, especialmente os verdes escuros, oleaginosas e sementes, grãos integrais, leguminosas, chocolate amargo (quanto mais cacau, melhor), banana, abacate, leite e derivados.


Mas Ribas Filho destaca que o maior benefício costuma aparecer não por um nutriente isolado, e sim dentro de um padrão alimentar saudável, rico em alimentos in natura ou minimamente processados. Em resumo, o cérebro responde melhor a uma alimentação de boa qualidade como um todo do que a soluções pontuais.


Fonte: G1

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