Câncer de próstata: exame para detecção de células tumorais circulantes apresenta alta precisão

Um novo exame de sangue pode melhorar significativamente a estratificação dos pacientes por antígeno prostático específico e/ou ressonância magnética (RM) multiparamétrica para fins de biópsia e tratamento, segundo os autores de um novo estudo publicado on-line em 07 de agosto no periódico Journal of Urology.

O exame diagnóstico não invasivo que utiliza a análise de células tumorais circulantes, também pode identificar – com alta precisão – o câncer de próstata clinicamente significativo antes da biópsia.

O benefício dessa ferramenta é evitar a biópsia e os riscos associados de sangramento e infecção, disseram o primeiro autor Dr. Yong-Jie Lu, Ph.D., médico da Queen Mary University of London, no Reino Unido, e colaboradores.

No estudo, os pesquisadores incluíram 155 pacientes com câncer de próstata virgens de tratamento e 98 pacientes pré-biópsia para a pesquisa de células tumorais circulantes. O RNA foi extraído das células de 184 pacientes para análise da expressão do gene.

Em pacientes com câncer de próstata localizado, 54% foram classificados como positivo para células tumorais circulantes, o que foi associado à maior pontuação no escore de Gleason (P = 0,0003), grupo de risco (P < 0,0001) e câncer de próstata clinicamente significativo (P < 0,0001). No grupo pré-biópsia, o escore positivo para células tumorais circulantes em combinação com o antígeno prostático específico previu o câncer de próstata clinicamente significativo (AUC = 0,869).

Os autores também afirmaram que um painel prognóstico de 12 genes para câncer de próstata clinicamente significativo foi identificado. Quando esse painel foi combinado com o nível de antígeno prostático específico e o escore de células tumorais circulantes, a AUC para a predição do câncer de próstata clinicamente significativo foi de 0,927. Além disso, nos casos com dados de RM multiparamétrica, o acréscimo destas ferramentas à RM multiparamétrica aumentou significativamente a acurácia da predição (AUC = 0,936 vs. 0,629).

Os autores enfatizaram que, por se tratar de um estudo de um único centro, os resultados precisam de validação independente antes que o teste seja disponibilizado aos pacientes, o que pode levar de três a cinco anos. Qualquer aprovação subsequente pela Food and Drug Administration (FDA) norte-americana também pode levar de três a cinco anos, de acordo com a assessoria de imprensa da Queen Mary University of London.

Há muito espaço para melhorias no diagnóstico de câncer de próstata, disseram os autores.

Eles explicaram que o câncer de próstata atualmente é detectado usando os níveis de antígeno prostático específico, seguidos por uma biópsia da próstata. O antígeno prostático específico pode fornecer um diagnóstico precoce, mas é notoriamente impreciso. Metade dos homens com antígeno prostático específico positivo não tem câncer na biópsia. Além disso, alguns tipos de câncer de próstata não são fatais, e não necessitam de tratamento, mas é difícil identificar com segurança esses tipos. Isso significa que muitos homens com antígeno prostático específico alto passam desnecessariamente por biópsias, cirurgias e outros tratamentos, com os riscos decorrentes de sangramento e infecção, e no caso de prostatectomia radical, incontinência urinária e disfunção erétil.

“O problema do câncer de próstata é que queremos detectar o câncer clinicamente significativo, mas mais da metade dos pacientes com antígeno prostático específico elevado não tem câncer clinicamente significativo”, disse Dr. Yong-Jie.

O antígeno prostático específico não é ideal, porque tem alta sensibilidade – o que significa que alguém com câncer de próstata sempre terá antígeno prostático específico alto – mas baixa especificidade – o que significa que gera muitos falsos positivos, disse o Dr. Yong-Jie.

Por outro lado, o exame – chamado Parsortix – desenvolvido pelo grupo dele, mede os níveis de células tumorais circulantes. Tem alta especificidade, o que significa que pode identificar com acurácia os resultados verdadeiramente “negativos”, porque nenhuma célula tumoral é eliminada se não houver câncer. Com o Parsortix isoladamente, disse ele, é possível evitar biópsias desnecessárias em 90% dos homens. A desvantagem é que, como nem todos os tumores de próstata liberam células tumorais, o teste de células tumorais circulantes é menos sensível; portanto, até 23% dos homens com câncer de próstata podem não ser identificados usando apenas esse novo exame de células tumorais circulantes.

A equipe de Londres calculou o quão preciso foi o exame quando combinado com métodos existentes, como o antígeno prostático específico, bem como um painel de 12 genes de uma amostra de sangue. Quando a equipe combinou os resultados de células tumorais circulantes, antígeno prostático específico, painel genético e ressonância magnética, calculou que poderia evitar 42% das biópsias desnecessárias, e identificar 100% dos tumores clinicamente significativos.

A única biópsia líquida de células tumorais circulantes atualmente disponível para prognóstico do câncer de próstata, a Cellsearch de células tumorais circulantes, foi aprovada pela FDA em 2008 para câncer de próstata metastático. O Dr. Yong-Jie disse que o exame de seu grupo é o primeiro de células tumorais circulantes efetivo para um paciente antes de ele ser submetido à biópsia, podendo evitar o procedimento. A maioria dos exames baseados em células tumorais circulantes tem cerca de 80% de especificidade.

“Não é surpresa que poderíamos melhorar, mas não tínhamos ideia de quanto antes do experimento”, disse ele.

“É emocionante. Pensamos que seria semelhante aos outros, em torno de 80%, mas é bom termos encontrado esta alta acurácia – é uma grande descoberta.”

A chave, disse Dr. Yong-Jie, é que o exame de células tumorais circulantes foi usado em combinação com outros métodos existentes, como o antígeno prostático específico e a RM, a fim de melhorar os resultados.

“Cada um de nossos exames, por si só, não tem esse desempenho, mas quando combinados, quando se tem sensibilidade e especificidade, a acurácia aumenta drasticamente”, resumiu.

O estudo foi financiado em parte pela ANGLE, que detém os direitos de marketing do sistema Parsortix. Um autor informou ter trabalhado como consultor médico para ANGLE. Os outros autores informaram não ter conflitos de interesses relevantes.

Fonte: Medscape

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