Câncer de mama para o não especialista: o que é preciso ter em mente

Durante o Congresso da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), realizado no final de outubro, no Rio de Janeiro, conversamos com o Dr. Raphael Kaliks, oncologista do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, sobre o cenário atual do câncer de mama no Brasil e o que um colega não especialista precisa ter em mente sobre o tema.

Para o Dr. Raphael, mais do que conhecer as últimas novidades na área, todos os médicos devem conhecer e insistir com as pacientes sobre as medidas básicas de detecção precoce, o que aumenta a possibilidade de tratamento com sucesso.

Apesar de o país ter conseguido oferecer alguns tratamentos efetivos e atuais para o câncer de mama, ainda enfrenta dificuldades para garantir uma adesão adequada às recomendações de rastreamento da doença.

“Toda mulher acima de 40 anos deveria fazer a mamografia anual. Se 70% fizessem esse exame conseguiríamos baixar em pelo menos 10% a mortalidade por câncer de mama”, afirmou o especialista ao Conversa de Médico.

A redução da mortalidade que se vê em boa parte do mundo ainda não é realidade no Brasil. Dois fatores decisivos para este cenário são a baixa adesão ao rastreamento adequado e a dificuldade dos sistemas de saúde em oferecer tratamento a todas a mulheres que precisam dele – a discrepância entre os sistemas público e privado é alta.

É preciso lembrar, salientou o Dr. Raphael, que hoje, no Brasil, a cirurgia é parte obrigatória do tratamento do câncer de mama. A radioterapia será usada em cerca de 60% das pacientes, a quimioterapia, as terapias-alvo e a hormonioterapia também ajudam na redução da mortalidade.

Nestes campos tivemos avanços importantes. A radioterapia avançou em termos tecnológicos e reduziu a toxicidade do tratamento, diminuindo a chance de recidiva. A hormonioterapia continua sendo usada nas pacientes com tumores que respondem ao estímulo hormonal e faz parte da prescrição habitual de tratamento.

A quimioterapia, que era usada de forma generalizada, hoje é definida por diagnóstico molecular e genético, permitindo que o tratamento sistêmico seja mais efetivo e usado de forma mais cuidadosa.

“Não temos drogas novas na quimioterapia provavelmente porque já temos opções suficientes no momento. No caso de tumores HER2 temos opções para usar no pré-operatório e com várias opções”, disse o Dr. Raphael.

A imunoterapia também chegou no tratamento para os tumores metastáticos triplo negativos, e pode ser uma opção capaz de reduzir mortalidade.

No entanto, o mais importante é que todos os médicos apoiem o rastreamento para a detecção precoce, pois isso é o que pode mudar a história das pacientes e diminuir a mortalidade. A suspensão do rastreamento, defendeu o especialista, não deveria se dar por conta da idade – hoje recomenda-se a suspensão aos 69 anos. Para ele, a mulher deve fazer exames até que sua perspectiva de vida seja de pelo menos mais cinco anos de vida.

O Dr. Raphael recomendou ainda, muito cuidado com as mulheres com resultados alterados em mamografias, porém sem diagnóstico de nódulos.

“Sempre que aparecer uma paciente com alteração de mamografia, ela deve ser vista por um especialista com experiência em acompanhar essas pacientes, em especial quando a sugestão é de displasia mamária.”

Fonte: Medscape

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