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Brasileiro se preocupa mais com dinheiro que saúde; psicólogos explicam



O dinheiro — na verdade, a falta dele — é o que mais preocupa os brasileiros atualmente. Nem mesmo temas como saúde aflige tanto nossa população quanto a dificuldade de manter as contas em dia. Os dados são de um levantamento da fintech Onze em parceria com a seguradora Icatu.

Das 8.573 pessoas ouvidas na pesquisa, 54% indicaram que o dinheiro é o que mais as preocupa em suas vidas. A diferença para outros temas que geram preocupação é discrepante: família (17%), saúde (13%) e trabalho (8%).

E, segundo especialistas, muitos são os motivos que justificam o dinheiro ocupar o primeiro lugar dessa lista.

— A saúde financeira e a saúde mental andam lado a lado justamente porque o dinheiro é a engrenagem que movimenta a sociedade. A ausência dele impossibilita a pessoa de honrar com seus compromissos financeiros e ocupar espaços sociais, gerando sintomas desconfortáveis e mudanças de comportamento como distúrbios de sono, alterações de humor e apetite e até queda na produtividade — afirma a psicóloga Dayane Siqueira. Não ter dinheiro para emergências, como acidentes ou problemas de saúde (55%) e não ter dinheiro suficiente para pagar as contas do mês (42%) foram apontados pelas pessoas como os principais motivos de estresse.

No levantamento, 71% dos entrevistados afirmaram que são afetados emocionalmente por problemas financeiros. Entre os principais sintomas listados por eles aparecem: ansiedade (53%); insônia (41%); e problemas de relacionamento com amigos, familiares e parceiros (15%).

— Geralmente, a falta do dinheiro causa insegurança e muita ansiedade. E a ansiedade excessiva provoca comprometimentos no seu bem-estar emocional. A pessoa fica ansiosa porque não consegue ver a possibilidade de pagar as dívidas, de alimentar sua família e atender as necessidades da casa. Então, começa a entrar em pânico e desespero — explica a psicóloga Anna Lucia Spear King, doutora em Saúde Mental do Instituto Delete (UFRJ).

A pesquisa aponta também que 30% dos entrevistados relataram que o foco no trabalho é afetado pela preocupação com o dinheiro. Isso é prejudicial porque atrapalha o desenvolvimento de possíveis soluções para reverter o cenário financeiramente desfavorável.

As causas para a dificuldade de pagar os boletos mensais são variadas. Elas podem ir desde a compulsividade por compras, passando pelo aumento dos preços de muitos produtos e serviços, sem um aumento de salário equivalente, até mesmo pelo desemprego. Dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o país terminou o trimestre julho-setembro com uma taxa de desemprego de 7,7%.

Independentemente da causa do endividamento, muitas pessoas apresentam um sentimento em comum: a culpa por não conseguir fazer as contas caberem no orçamento.

— A pessoa que tem um salário baixo, que não está conseguindo cumprir com suas obrigações financeiras não tem que sentir culpa. Ela precisa se adequar a essa realidade, procurar estratégias para mudar. Mas culpa é a última coisa que ela deveria sentir — pontua King. No caso das pessoas que se envolveram em dívidas por comprarem compulsivamente, a especialista orienta procurar um psiquiatra para o devido diagnóstico e tratamento da condição.

Para reverter o quadro do endividamento, Siqueira orienta analisar com calma os fatores que levaram a pessoa a não conseguir equilibrar as contas. A partir disso, é preciso buscar ajuda — financeira e emocional — e traçar estratégias realistas para conseguir solucionar o problema. É preciso entender que perder o sono, se afastar de pessoas queridas e ficar o tempo todo apenas pensando no problema e nas consequências dele não traz soluções, só mais estresse. — Especialmente no final de ano, o aumento com o endividamento se torna visível e é importante salientar que o endividamento pode agravar quadros de ansiedade, depressão, podendo levar até a pensamentos negativos sobre a vida e sua relação com a sociedade. Portanto, usar a energia da preocupação para gerar outras possibilidades é mais viável e resolutivo — orienta Siqueira.


Fonte: o Globo

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