Big data pode ajudar médicos a fazerem melhores prescrições

A evolução da medicina está invariavelmente atrelada aos avanços tecnológicos. Para acompanhar tanta novidade, é preciso investir mais, melhor e de maneira mais rápida na formação de médicos e profissionais de saúde. A opinião é de Luis Lapão, professor de saúde pública e sistemas de formação da Universidade Nova de Lisboa. Lapão será um dos palestrantes do 1º Simpósio de Inovações Tecnológicas em Saúde, que acontecerá nos dias 22 e 23 de agosto no Auditório 3 do Centro Universitário de Brasília (UniCeub).

O que representa a inovação tecnológica na medicina? Inovação tecnológica nada mais é do que encontrar novas formas de atender à população. Não dá para falar de tecnologia sem falar de pessoas. A forma como se trabalha, cada vez mais com a ajuda da internet e de novas tecnologias, tem a ver com a forma como as organizações funcionam. O Uber, por exemplo, é uma forma nova de fazer o que os taxistas faziam, mas é uma organização que funciona de maneira diferente.

Como estão caminhando essas inovações tecnológicas na área da saúde? Hoje em dia, estamos trabalhando na lógica da tecnologia da informação, que são bases de dados com informações dos pacientes, por exemplo. A partir daí, podemos pensar em big data, inteligência artificial e uma série de outras coisas. Mas ainda há muito trabalho a ser feito nessa área. O que temos que garantir agora é que teremos dados com a mesma estrutura, organizados.

A medicina está nessa fase de organizar os dados, então? Sim, estamos nessa fase de organização no momento. Organizar a relação com as empresas e as universidades que desenvolvem essas novas tecnologias, no sentido de garantir que as inovações serão importantes tanto para os profissionais quanto para os pacientes. Há muitos aplicativos relacionados à área da saúde: alguns funcionam muito bem; outros, muito mal. Os sistemas têm que estar alinhados para funcionar. Tem que ser fácil marcar uma consulta, ter acesso aos dados do paciente, a laudos. É possível desenvolver novos algoritmos para diversas áreas, como a de antibióticos, para ajudar os médicos a fazerem melhores prescrições.

Como o Brasil, um país com acesso tão precário à saúde básica, se encaixa nesse novo mundo, cheio de tecnologia? O Brasil é um país muito grande, e o caminho é longo. É preciso um trabalho importante com as secretarias de saúde e as universidades, mas é preciso também ser mais profissional, investir mais, para que as equipes de saúde possam fazer um trabalho mais rápido e eficaz no desenvolvimento desses temas. É preciso investir para que a revolução tecnológica aconteça. Ela está acontecendo, mas está muito devagar. É preciso formar mais especialistas, porque é uma revolução urgente. Não só médicos, como [também] engenheiros de informática que entendam a necessidade de velocidade que a medicina tem, para desenvolver alternativas que funcionem. As novas tecnologias ajudam pessoas que já estão doentes, mas nosso grande objetivo é garantir que elas não adoeçam. São coisas simples, como ajudá-las a comer bem, estimulá-las a fazer exercícios.

Fonte: Metrópoles

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