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Bebida alcoólica é a real vilã da dieta nas festas de fim de ano, não a comida



Os pratos das ceias de Natal e de Ano Novo levam, com frequência, a fama de vilões da dieta. O que os especialistas explicam é que, na verdade, o grande culpado, geralmente, não é a comida, mas o álcool.


Há quem intercale o peru, o salpicão, o arroz e o pudim com as bebidas alcoólicas. E é neste ponto que a ceia de fim de ano fica excessivamente calórica. Por exemplo: um prato com todos esses itens tem quase a mesma quantidade de calorias do que duas caipirinhas.


🚨 Antes de comparar comida com bebida, é preciso lembrar que o álcool tem um ponto de partida negativo: é uma fonte de caloria vazia. Ou seja, não tem nenhum nutriente ou benefício para o corpo, diferentemente dos alimentos.


👉 Além disso, o álcool é uma substância tóxica e não existe dose segura para o consumo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).


Se pensarmos em calorias, a bebida alcóolica é a verdadeira vilã. Isso porque ela pode ter mais calorias que o alimento, sem entregar nenhum nutriente. E, como é líquida, as pessoas acabam consumindo em um volume maior.

— Marina Nogueira, nutricionista e influenciadora sobre nutrição.


Só algumas tacinhas...


🚨 O álcool, de forma isolada, tem 7 calorias por grama. Isso é mais do que as calorias encontradas nos carboidratos e proteínas dos alimentos, que têm 4 calorias por grama. E chega perto da gordura, que tem 9 calorias por grama.


No entanto, a substância não é consumida pura, pois está presente em bebidas, que, no conjunto, são mais calóricas. Veja abaixo as calorias por bebida alcoólica:



Dependendo da quantidade que se bebe, o ganho calórico ao beber pode superar o que se ganha ao comer. E, ainda que a quantidade seja moderada, a bebida faz subir a ingestão calórica sem o ganho de nenhum nutriente, mas causando outros prejuízos.


👉 Em um prato típico com 100 gramas de peru, salpicão, arroz e uma porção de 100 gramas de pudim como sobremesa, a refeição vai ter cerca de 600 calorias. Ao consumir apenas duas caipirinhas, a pessoa estará ingerindo cerca de 500 calorias.


As bebidas alcoólicas podem ser mais calóricas do que certos alimentos, especialmente se forem consumidas em grandes quantidades. O álcool em si contém calorias, e esse valor sobe muito quando incluído nas bebidas, especiamente as açucaradas ou misturadas com outros ingredientes também com alto teor calórico.

— Marcella Garcez, médica nutróloga e diretora na Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).


🚨 E, antes de escolher na tabela a bebida menos calórica, vale a dica da nutricionista Marina Nogueira: a menos calórica é aquela que você toma menos.


Por exemplo, o espumante tem menos caloria que todas as outras bebidas, mas quantas taças de espumante você é capaz de tomar? Se a resposta for muitas, é melhor escolher outra bebida.


O álcool inibe a queima de gordura


A nutróloga Marcella Garcez explica que, além de aumentar as calorias, o álcool, ao ser processado no corpo, inibe a queima de gordura.


  • 🥂O álcool ingerido é metabolizado no fígado.

  • 🥂 Por ser uma substância tóxica para o corpo, o álcool tem prioridade na ação metabólica.

  • 🥂 Assim, enquanto o fígado processa as bebidas ingeridas, ele inibe o metabolismo da gordura.


“Além disso, a substância pode desacelerar o metabolismo, tornando todo o processamento dos alimentos menos eficiente”, explica a médica nutróloga Marcella Garcez.


O álcool pode te fazer comer mais


A nutricionista Mariana Nogueira explica que o "estrago do álcool na dieta" não é só pelas calorias da bebida em si, mas nos efeitos que podem fazer com que a pessoa coma mais.


🥂 As bebidas geram ocasiões para comer mais do que apenas a refeição principal: o vinho acompanha o queijo; a cerveja vai bem com batatas e amendoins.


As pessoas também buscam comer mais para evitar ficarem alcoolizadas mais rapidamente e, com isso, inibem o filtro que existia para escolhas nutricionais melhores.


Você até podia tentar fazer escolhas melhores, mas depois de alguns drinks pode pensar: 'ah, já bebi mesmo'. E, com isso, se permitir comer em quantidades que não comeria sóbrio. Há ainda o efeito cascata com a ressaca, que dá mais fome no dia seguinte.

— Marina Nogueira, nutricionista e influenciadora sobre nutrição.


👉 Desidratação: a nutricionista explica que a bebida alcóolica causa desidratação e as pessoas podem confundir o sinal de sede com o de fome e acabar comendo mais.


“A ingestão de álcool e os efeitos vão muito além do momento em que estamos bebendo. Então, não é só olhar a caloria da bebida, mas o efeito que ela causa na sequência”, explica Marina.


🚨 A eliminação e absorção da bebida variam de pessoa para pessoa, já que a reação às bebidas é individual. Aproximadamente 90% da substância é absorvida na primeira hora e a eliminação total pode demorar até 12 horas.


Importa o que é feito entre um Ano Novo e o outro


No fim de ano, os especialistas têm um consenso: não é o momento para contar calorias. A pressão estética, somada à proximidade do verão com as festas de fim de ano, faz com que muita gente chegue à ceia preocupado com o ganho calórico. No entanto, os nutricionistas alertam que o período de uma semana entre Natal e Ano Novo não vai ser o responsável pelo ganho de peso.


“As festas de final de ano são importantes, um momento de reunião com amigos e família, envolvendo bebidas e comidas com valores afetivos”, explica a nutricionista Beatriz Pancotto, que atua no hospital da Beneficência Portuguesa em São Paulo.


"Esses momentos de festas ocorrem uma vez no ano e não são os grandes responsáveis por uma ‘vida não saudável’ ou o ‘ganho de peso’", explica.


A nutricionista Marina Nogueira tem um projeto em que estimula as pessoas a não contarem as calorias, mas a fazerem escolhas saudáveis. Para ela, rotular como vilões os alimentos das festas de fim de ano é "terrorismo alimentar".


Os pratos típicos das festas são, em geral, mais calóricos, mas, ainda assim, nutritivos. A maior parte dos alimentos populares no Brasil nessa época são assados, com preparos in natura e sem ultraprocessados. Ou seja, não é preciso medo da comida.


"Assim como outros alimentos acabam classificados como vilões, sobrou também para a ceia de Natal e de Ano Novo. É um ciclo da sociedade em que estamos. É preciso lembrar que a alimentação não se mede por caloria ou só por nutriente, mas pelo contexto cultural que é o de estar à mesa reunido. O que faz a diferença no seu peso e saúde é o que você faz entre um Ano Novo e outro”, diz.


Fonte: G1

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