Bebês aguardam meses por cirurgias após hospital alegar não ter material para realizar procedimentos


Três mães de Praia Grande, no litoral paulista, relatam indignação por verem seus filhos terem que esperar meses por cirurgias, após o hospital onde eles estão internados alegar que não possui material para realizar os procedimentos. Os bebês estão intubados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), aguardando pelas cirurgias, para que possam voltar a respirar sem a ajuda de aparelhos. A direção do hospital afirma que os materiais já foram solicitados.


A dona de casa Maria José Oliveira de Souza Barbosa, de 36 anos, está no Hospital Irmã Dulce desde 2 de julho, com o filho Lorenzo, de 1 ano, que possui paralisia cerebral e síndrome de West, uma forma grave de epilepsia. Ele foi internado após chegar ao hospital com sintomas de uma infecção no sangue, porém, a unidade relatou à mãe que a criança estava com pneumonia, e que precisaria ser intubada na UTI.

A autônoma Rosicleide Nunes da Silva, de 27 anos, é mãe do bebê Enzo Gabriel, que está internado desde o nascimento, em abril. De acordo com a mãe, ele nasceu com um problema de má formação nos braços, e precisava realizar uma cirurgia para corrigir o problema. Porém, no hospital, ele deveria tomar uma medicação por seis meses seguidos, o que, segundo a autônoma, não aconteceu. Ele desenvolveu uma trombose e sofreu um derrame, precisando ser intubado. Sophia Vitória, de 3 meses de idade, filha de Elliene Alves Ribeiro, de 17 anos, está internada desde o nascimento, por ter nascido com oxigênio no cérebro, em Itanhaém, no litoral de São Paulo. No dia 14 de julho, ela conseguiu uma vaga para ser tratada no Irmã Dulce, onde está internada desde então, aguardando a cirurgia que a ajudará em sua recuperação. Além de terem nascido com condições que dificultaram o desenvolvimento e precisarem ser atendidos no hospital, os três bebês possuem outro fator em comum: após ficarem muito tempo intubados, eles precisam realizar dois procedimentos, uma traqueostomia, cirurgia na qual é feita uma abertura na parede da traqueia, para ajudar o paciente a respirar; e uma gastrostomia, que permite a alimentação por meio de uma sonda.

No entanto, conforme as mães, desde o início de agosto, o hospital afirma que não possui o material necessário para realizar a gastrostomia, e que os dois procedimentos precisam ser realizados juntos. Elas chegaram a solicitar que o hospital transferisse as crianças para uma unidade que possua o material para realizar as cirurgias, porém, a solicitação foi negada.

“A cirurgia do meu filho até foi marcada para o dia 20 de agosto, mas cancelaram por falta de material. Quanto mais demora, é pior para a criança. Meu filho está intubado há meses, ele nunca foi para casa”, conta Rosicleide. Em entrevista ao G1, elas afirmaram que procuraram departamentos da prefeitura, como a Ouvidoria, para receber ajuda, mas foram informadas de que o órgão não poderia fazer nada.

Assim, elas procuraram o Ministério Público para tentar uma liminar na Justiça, mas ainda estão realizando a solicitação. As mães temem que os filhos sejam contaminados com alguma bactéria ou vírus enquanto estão internados.

“É muito difícil. Tenho outra filha que reclama porque quer ver o irmão, ou porque quer atenção. Eu estou quase morando no hospital, não dá mais. Ficam adiando e não explicam o que podemos fazer, só nos mandam esperar”, explica Maria José. Posicionamento Em nota, a direção do Hospital Municipal Irmã Dulce esclareceu que o material da cirurgia já foi solicitado, e que enquanto o procedimento não é realizado, as crianças estão sendo assistidas pela equipe médica da unidade. Confira a reposta na íntegra:

"A direção do Hospital Municipal Irmã Dulce esclarece que, para realização de gastrostomia, é necessário adquirir uma sonda específica para cada paciente, com base em características como peso, altura e biotipo da criança.

Por isso, assim que a equipe médica identifica a necessidade do equipamento, a solicitação é realizada, como já foi feito para os pacientes L.B.L, E.G.N.L. e S.V.A.S. É importante ressaltar que não há necessidade de transferência, e que entre o processo de aquisição e a chegada da sonda, as crianças estão assistidas pela unidade e recebendo o tratamento oportuno.

Vale lembrar que, no setor da Unidade de Terapia Intensiva [UTI] pediátrica, é permitido que fique um acompanhante por paciente, e que essa permanência do responsável dá acesso direto à equipe assistencial para entender o tratamento e esclarecer dúvidas. A coordenação do setor e a direção da unidade permanecem à disposição dos familiares para demais esclarecimentos".

O G1 entrou em contato com a Prefeitura de Praia Grande, mas até a última atualização desta reportagem não obteve resposta.


Fonte: G1

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