Atenção especializada é associada ao aumento de sobrevida em pacientes com epilepsia

(Reuters Health) – Pacientes com epilepsia tratados por neurologistas experientes no manejo da doença podem ter menos probabilidade de morrer prematuramente em comparação com seus pares atendidos por neurologistas gerais, médicos generalistas ou especialistas de outras áreas da medicina, sugere um estudo canadense.

Os pesquisadores acompanharam 23.663 adultos com epilepsia por uma média de 7,5 anos. A taxa de mortalidade global foi de 7,2% – mas variou de 2,8% (mínimo) para pacientes atendidos por neurologistas especializados em epilepsia para 5,6% para pacientes acompanhados por neurologistas gerais, até 9,4% (máximo) para aqueles que não foram acompanhados por um neurologista.

“Reconhece-se cada vez mais que o acesso adequado à atenção especializada está associado a melhores desfechos, não apenas em termos de controle de convulsões e de qualidade de vida, mas, como demonstramos neste artigo, com a diminuição da mortalidade”, disse Mark Lowerison, primeiro autor do estudo e pesquisador da Cumming School of Medicine da University of Calgary, no Canadá.

“Comparados aos cuidados do neurologista geral ou de um não neurologista, os especialistas em epilepsia tendem a ter mais conhecimento sobre a condição, suas comorbidades mais comuns e o tratamento para o controle dela”, disse Mark por e-mail.

Cerca de dois terços dos pacientes com epilepsia conseguem controlar as convulsões com medicamentos, e cerca de dois terços das pessoas que não atingem o alívio dos sintomas com medicamentos respondem ao tratamento cirúrgico, disseram os pesquisadores, em uma publicação on-line em 05 de agosto no periódico JAMA Neurology.

Apesar desses tratamentos, as pessoas com epilepsia têm taxas de mortalidade até três vezes mais altas que os indivíduos sem a doença, escreveu a equipe do estudo.

No estudo, as pessoas acompanhadas por neurologistas ou neurologistas especializados em epilepsia eram mais jovens do que os outros pacientes, também eram mais saudáveis e apresentavam sintomas menos graves. Os pacientes que foram tratados por especialistas em epilepsia tinham, em média, 43 anos de idade versus 48 anos para os pacientes tratados por neurologistas gerais, e 54 anos para os que foram acompanhados por não-neurologistas.

Depois de controlar por fatores que podem afetar a longevidade, como idade, sexo e gravidade dos sintomas, as pessoas acompanhadas por especialistas em epilepsia tiveram probabilidade 51% menor de morrer durante o estudo do que os pacientes cuidados por não-neurologistas. E as pessoas que consultaram neurologistas gerais tinham probabilidade 15% menor de morrer.

O desenho do estudo não tentou provar se os médicos tiveram um impacto direto na chance de sobrevida dos pacientes.

Os pesquisadores contaram com dados administrativos e registros oficiais de saúde, então é possível que eles não tenham tido acesso a dados sobre características dos pacientes que possam ter influenciado a sobrevida.

“Podemos especular que os especialistas em epilepsia teriam mais experiência em lidar com pacientes com epilepsia difícil de tratar ou altamente resistente aos medicamentos”, disse Mark.

“Também consideramos a hipótese de que os especialistas em epilepsia teriam mais familiaridade com todas as possibilidades de atendimento disponíveis.”

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