Associação entre câncer e obesidade

As mudanças nos hábitos de vida estão trazendo consigo reflexos em todos os níveis da sociedade. No âmbito da saúde, começamos a ver um rápido crescimento da obesidade entre jovens, em níveis tão acelerados que alguns autores chegam a citar o termo epidemia.

Projeções feitas pela base de dados do programa Surveillance, Epidemiology, and End Results (SEER), do National Cancer Institute, dos Estados Unidos, chegam a estimar que, em 2025, a prevalência de obesidade na população será de até 18% entre os homens e de 25% entre as mulheres jovens.

Nos Estados Unidos, comparando os anos de 1988 a 1994 com 2015 a 2016, a incidência de obesidade dobrou, de acordo com o índice de massa corporal (IMC), principalmente entre jovens de 20 a 39 anos.

A obesidade desencadeia uma cascata de fatores pró-inflamatórios, além de criar um ambiente carcinogênico, com liberação de citocinas, favorecendo a proliferação celular e a consequente imortalidade celular, e com isso, o desenvolvimento do câncer. Quando este ambiente é criado durante a adolescência, ou seja, quando a obesidade ocorre ainda no período da adolescência, parece favorecer ainda mais o desenvolvimento de certos tipos de neoplasia, como descrito por Zohar et al, que observou maior incidência de tumores de pâncreas em adolescentes obesos. [1]

Em estudo recém-publicado no periódico JAMA Network Open pesquisadores compararam idade e fatores etiológicos, como raça/etnia e sexo, com as neoplasias maios incidentes associadas à obesidade. [2] Neste estudo, os participantes foram separados por faixa etária em três grupos: de 20 a 49 anos; de 50 a 64 anos; e a partir de 65 anos. Além disso, foram divididos entre hispânicos e não hispânicos (subdivididos entre brancos e negros) e entre homens e mulheres. Lembrando que todos os grupos apresentaram as variáveis de obesidade classificadas em graus de gravidade (0 a 1).

A análise de regressão logística mostrou um aumento anual maior nas chances de tumores associados à obesidade do que de tumores que não foram associados à obesidade na faixa etária de 50 a 64 anos. Entre os homens de 50 a 64 anos, o índice de razão de chances (ou odds ratio, OR) de tumores associados à obesidade em relação a neoplasias não associadas à obesidade variou de 1,005 (intervalo de confiança, IC, de 95%, de 1,002 a 1,008) em homens negros não hispânicos a 1,013 (IC 95% de 1,012 a 1,014) em homens brancos não hispânicos.

Entre as mulheres de 50 a 64 anos, o índice de OR para neoplasias associadas à obesidade em relação a tumores não associados à obesidade variou de 1,002 (IC 95%, de 0,999 a 1,006) em mulheres hispânicas a 1,005 (IC 95%, de 1,002 a 1,009) em mulheres negras não hispânicas.

O que também se mostra curioso neste mesmo estudo é que o tipo mais incidente de neoplasia em todos os pacientes obesos jovens, não em números absolutos e nem com significância estatística, é a neoplasia de tireoide, apontando talvez uma hipótese para o aumento do número de casos em pacientes jovens.

Nos homens de 20 a 49 anos, prevaleceram, além das neoplasias de tireoide, o câncer de rim e o câncer colorretal – em menor proporção; já nas mulheres, também apareceram as neoplasias de tireoide seguidas pelas neoplasias de mama.

Quando começamos a analisar os pacientes com mais de 50 anos vemos a incidência equilibrada de tumores de mama, de tireoide e colorretal nas mulheres e de tumores de rim e de vesícula biliar nos homens.

Desta forma, vemos a necessidade de intervenção e criação de políticas de saúde, além da mudança no estilo de vida precoce destes adolescentes, como forma de evitar esta crescente epidemia.

Fonte: Medscape

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