Associação de implante de matriz de regeneração dérmica com curativo com pressão negativa já é conse

O uso de matriz de regeneração dérmica (MRD) com curativo com pressão negativa (CPN) como adjuvante pode melhorar os resultados do tratamento de feridas extensas causadas por queimaduras.

Em um estudo publicado em agosto no periódico Burns, [1] pesquisadores do Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, mostram que, quando essas técnicas são combinadas, as taxas médias de pega da matriz e de enxerto de pele aumentam e o tempo de maturação da matriz de regeneração dérmica diminui.

O Dr. Rodrigo Feijó, cirurgião pediátrico do Hospital Infantil Joana de Gusmão e um dos autores da pesquisa, falou ao Medscape sobre os dados do trabalho.

O grupo avaliou prontuários de 45 crianças queimadas. A maioria era do sexo masculino (56,8%), estava na puberdade (31,8%) e havia sofrido queimaduras causadas por substâncias inflamáveis (75%).

Em relação à extensão das lesões, 11 crianças tiveram entre 20% e 30% do corpo queimado; 10 tiveram de 40% a 50% do corpo queimado e 9 queimaram mais de 50% do corpo. Quanto à profundidade, a maioria (90%) sofreu queimaduras de espessura total.

Os autores observaram que, nos pacientes que receberam apenas o implante de matriz de regeneração dérmica, a taxa média de pega da matriz foi de 85% versus 99,8% naqueles que receberam a matriz de regeneração dérmica associada ao curativo de pressão negativa. Quanto à maturação, o tempo médio foi de 17,65 dias no primeiro grupo vs. 16,68 dias no segundo grupo. A taxa média de enxerto de pele foi de 85,2% no grupo que recebeu apenas a matriz de regeneração dérmica e de 89,1% no que recebeu a terapia combinada.

O Dr. Rodrigo explicou que ainda são poucos os estudos que investigam os efeitos da associação do implante de matriz de regeneração dérmica com o curativo com pressão negativa, no entanto, a combinação tem se tornado cada vez mais frequente na prática clínica frente aos resultados positivos que vêm sendo observados.

A matriz de regeneração dérmica é um substituto sintético que combina uma matriz colágena (substituto dérmico) a uma camada externa de silicone (substituto epidérmico). A matriz colágena é incorporada ao ferimento e, após a maturaçao da matriz, a camada de silicone é removida e substituída por um autoenxerto de pele disponível.

Essa técnica é indicada para queimaduras de espessura total, especialmente em áreas nobres (por exemplo, pés, mãos, períneo, face e articulações) que, de acordo com o Dr. Rodrigo, são mais suscetíveis a apresentar retração e perda funcional depois da cicatrização. Em geral, a maturação da matriz de regeneração dérmica ocorre em três semanas, no entanto, lembrou o médico, “atualmente, o uso do curativo com pressão negativa tem permitido reduzir esse tempo para até duas semanas”.

O curativo sob pressao negativa consiste na aplicaçao de uma esponja estéril na cavidade da ferida, seguida pela instalação de um envoltório plástico adesivo sobre a esponja, que gera um sistema selado, onde então é aplicada uma pressão subatmosférica por meio de um tubo rígido conectado a um aspirador.

“A sucção gerada pelo sistema fechado consegue aumentar a migração celular e acelerar a formação de novos tecidos, de novos vasos sanguíneos”, explicou o Dr. Rodrigo. Ele contou que a equipe de Santa Catarina observou clinicamente – assim como em estudos histológicos e moleculares feitos com modelos animais – que, de fato, a maturação da matriz de regeneração dérmica em feridas causadas por queimaduras é acelerada quando feita em associação com o curativo de pressão negativa, como alguns estudos demonstraram anteriormente. [2,3]

A redução do tempo de maturação significa também a redução do tempo de internação do paciente. “Ao reduzir o tempo de internação, melhoramos o bem-estar do paciente e reduzimos custos hospitalares, o que justifica o valor elevado do curativo tecnológico”, destacou o Dr. Rodrigo, acrescentando outras vantagens: “Crianças tendem a ficar mais agitadas quando estão internadas, e não compreendem os cuidados necessários. Ao usar o sistema a vácuo, o curativo tecnológico aspira a secreção que fica por baixo do curativo, diminuindo a contagem de colônias de bactérias e reduzindo assim a taxa de infecção. O curativo também fica mais firme e, mesmo que a criança se movimente, ele protege a matriz.” Por esses fatores, disse o médico, “a associação do curativo de pressão negativa com a matriz de regeneração dérmica tem se tornado consenso entre especialistas em queimaduras”.

Para o médico, a expectativa é que, no futuro, surja um substituto da epiderme tão eficiente quanto o que existe hoje para a derme. “Os grandes queimados ainda representam um desafio, porque, em quadros nos quais as áreas queimadas compreendem 70% a 80% do corpo, restam apenas 20% a 30% de pele saudável para fornecer enxerto para toda a extensão queimada. Peles de rã e de tilápia, por exemplo, podem ser usadas, porém são curativos, e em algum momento precisarão ser substituídas. Há alguns anos foi desenvolvida uma tecnologia que envolvia a aplicação de uma solução em spray gerada a partir da cultura de epiderme, de queratinócitos, que se integrava à matriz. Ela chegou a ser comercializada, porém havia uma perda muito grande, o que inviabilizou o produto. Atualmente, já há grupos internacionais começando a usar impressora 3D para produzir placas de derme e epiderme para fazer enxertos, o que tem se mostrado bastante promissor”, afirmou.

Fonte: Medscape

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