Associação de funcionários da Anvisa rebate deputado sobre uso emergencial de vacinas



A associação dos servidores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou neste sábado (6) uma nota para manifestar repúdio a declarações de autoridades que, segundo o texto, "parecem desconhecer o histórico de excelência da Agência e a importância das ações executadas ao longo dos seus mais de 20 anos".

A nota também afirma que as pessoas que querem acelerar o processo de registro de vacinas não conhecem o mecanismo de autorização dos medicamentos.

Apesar da nota não citar nenhum nome, ela foi redigida como uma resposta a uma declaração do deputado federal Ricardo Barros (Progressistas). Ele deu entrevistas durante a semana em que afirmou que há poucas vacinas já aprovadas. Ao jornal "O Estado de S. Paulo", Barros afirmou: "Eles não entenderam ainda. Estão fora da casinha, não sabem que estamos numa pandemia, que precisamos de coisas urgentes, que precisamos facilitar a vida das pessoas. É só exigência. Não é possível que tenha 11 vacinas aprovadas em agências no mundo inteiro e nós só temos duas, e eles não estão nem aí com o problema".

De acordo com servidores da Anvisa, o que está por trás é a aprovação da vacina Sputnik V. O Senado deu luz verde para uma medida provisória que determina que a Anvisa vai ter cinco dias para dar autorização de emergência a uma vacina que já foi liberada em outros países, como a Rússia e a Argentina.

O Congresso Nacional aprovou uma regra que possibilita o uso de vacinas mesmo sem o aval da Anvisa.

Os servidores da Anvisa afirmam que não há dados mínimos a respeito da Sputnik V. Na nota, eles afirmaram que estão abertos a sugestões para que o trabalho seja aperfeiçoado, mas que as críticas recentes são inadequadas.

Sobre a MP que impõe um prazo de cinco dias para a avaliação, eles afirmaram terem sido surpreendidos, e que o texto da regra demonstra que há '"desconhecimento da complexidade do trabalho de avaliação envolvido".


Fonte: G1

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