As mães que trabalham na linha de frente contra o coronavírus

Para muitas famílias, a comemoração do dia das mães vai ser bem diferente este ano. Será de longe, devido à pandemia. Tem muita mãe isolada dos filhos pra protegê-los. Nesta hora, vídeos e fotos são um alento pra matar a saudade. Tem gente com projeto para fazer os registros depois que tudo isso terminar. Mas, agora, essa distância está dando uma aperto no coração.

A médica intensivista Tereza Fritz conta não vê a filha Letícia há cerca de dois meses.

“Desde que essa pandemia começou minha vida virou de perna pro ar. A minha rotina mudou completamente. Eu fico isolada dentro da minha própria casa. Fico no meu quarto. É difícil querer fazer um carinho, querer estar ao lado, querer brincar. Até mesmo fazer as tarefas da escola e não poder estar próximo. É muito difícil ser mãe nesse momento porque a vontade de estar perto é muito grande”, disse Tereza.

Médica intensivista Tereza Fritz conta não vê a filha Letícia há cerca de dois meses. — Foto: Reprodução / TV Globo

Patrícia Alprandi Dutra também é médica. O filho Henrique, de quatro anos, está em uma fazenda no Sul de Minas, com os avós.

“Sou ginecologista e obstetra. Moro com meus pais, que já são idosos. Desde o início dessa pandemia, achei que seria melhor eu me isolar deles pra evitar a contaminação. Desde o dia 18 de março que eu não vejo o meu filho pessoalmente, só por vídeo chamada. Ontem, pela primeira vez, ele me ligou chorando, falando que tá com muita saudade da mamãe”, contou Patrícia.

Filho da médica Patrícia Alprandi está em uma fazenda no Sul de Minas com os avós — Foto: Reprodução / TV Globo

A técnica de enfermagem Priscila Armani Matheus Santana é mãe da Milena. Relatou que desde o dia 1º de março, quando voltou a trabalhar depois das férias, está isolada da filha.

“Ela está morando com os meus avós e com a minha tia. Chego na minha casa todos os dias pela manhã e vejo a cama dela arrumada. Pra mim aquilo funciona como ‘a minha filha não está na minha casa’. É algo que tem impactado muito a minha vida emocional, mas tem impactado a vida emocional dela”, comentou Priscila.

“Nós estamos pela primeira vez na nossa vida muito distante uma da outra. Nós não podemos dormir dentro da mesma casa. Eu não tô tendo mais o aconchego dela lá no meu sofá…. Eu sinto falta dela fazendo carinho em mim, fazendo chamego em mim. Eu sinto muita falta da minha filha dentro do meu lar”, lamentou a técnica de enfermagem.

Técnica de enfermagem Priscila Armani Matheus Santana está isolada da filha desde o início de março. — Foto: Reprodução / TV Globo

Fotografia

Tudo isso vai passar. Essas mães tão guerreiras vão reencontrar os filhos. Será, sem dúvida, um momento inesquecível. E esse momento, tão cheio de emoção, pode ser eternizado.

Sheyla Pinheiro é fotógrafa de grávidas e recém nascidos. Criou o projeto “Filho meu, mães em isolamento” e vai escolher cinco histórias de mulheres que trabalham na área de saúde e que estão longe dos filhos para cuidar do outro.

“Eu vi o povo se organizando com varal solidário, cestas, e fiquei pensando, o que eu posso fazer a distância ou quando tudo normalizar de forma que me preserve também, que eu não fique tão exposta ao risco. Eu já tive um projeto anterior, projeto pra mães sozinhas, e ele deu muito certo, foi um projeto muito lindo, foi com mães solteiras carente. E me veio ideia de continuar o projeto, agora com mães em isolamento”, contou.

Para Sheyla, as mães que estão na linha de frente, que deixam os filhos com outras pessoas para poder trabalhar estão sofrendo muito mais. Ela disse que tem algumas clientes que são médicas e enfermeiras. Viu o relato delas e se sensibilizou. Por isso, resolveu montar uma maneira de recompensar esse momento que elas estão vivendo.

“Pra que no futuro seja uma lembrança um pouco mais amena. Que a gente tenha um registro bonito e que não pese tanto”, destacou a fotógrafa.

Vai passar. Filhos vão reencontrar seu aconchego. E essas mães que se doaram pelo outro vão ter de volta o colo de filho, que elas precisam tanto. E quando a saudade puder, finalmente, se desfazer no abraço, a missão terá sido cumprida. Filhos vão se orgulhar. E a força dessas mulheres estará eternizada pela fotografia. E pela gratidão, que é de todos.

Fonte:G1

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