Adolescente e idoso são mais vulneráveis ao suicídio, mas causas são diferentes

Uma infeliz coincidência une as duas “pontas” da vida humana. Enquanto, no Brasil, os idosos são o grupo populacional de maior risco para o suicídio, segundo a Organização Mundial da Saúde (cerca de 1.200 pessoas com 60 anos ou mais morrem a cada ano em decorrência de suicídio no país), a incidência tem aumentado também entre os adolescentes. Entre 2006 e 2015 houve um aumento de 24% no número de suicídios cometidos pela população de 10 a 19 anos.

Embora a depressão seja apontada como principal causa para o suicídio, há uma série de fatores que também ajudam a estimular a ideação suicida. Mas os motivos que levam um adolescente a tirar a própria vida são diferentes dos motivos que levam um idoso a se matar. São espectros etários que se localizam no início e no fim da vida.

O médico psiquiatra Teng Chei Tung, coordenador do serviço de interconsultas e pronto-socorro do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, explica:

“São momentos complicados de transição. O jovem tem a crise existencial de se tornar um adulto e ainda não está preparado para lidar com frustrações, ele sofre mais tempo com isso. E há também a impulsividade natural desta idade, e a vulnerabilidade, que o torna mais suscetível a influências externas. Já no caso dos idosos, o suicídio está relacionado a uma perspectiva de dor ou incapacitação. Há o medo de se tornar dependente, incapacitado, e isso pode levá-los a crer que vale a pena morrer. Por exemplo, quando um idoso fica cego, ele se torna também mais suscetível ao suicídio”, explica.

Ele também lembra que o tratamento correto para a depressão diminui a tendência de pensamentos suicidas e que, na grande maioria dos casos de pessoas que tentaram se matar e não conseguiram concretizar, há arrependimento. “A imensa maioria se arrepende. Isso mostra que sempre é possível melhorar”, comenta.

Este mês é conhecido como “Setembro amarelo”, dedicado à prevenção do suicídio, que tem como uma de suas principais causas a depressão. Portanto, é necessário tratar a doença como o que ela é: uma doença. E buscar o tratamento correto.

Professora do curso de Psicologia do Promove Fabíola Bonni, explica que, para ajudar uma pessoa com depressão, o mais importante é escutar o que ela tem a dizer. “As pessoas têm mania de julgar as outras, mas este é o momento de acolher. É preciso não julgar e se colocar ali para escutar”, explica. 

Artigo: Hoje em Dia

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