Acupuntura pode tratar estresse, ansiedade e insônia na pandemia



Os efeitos da pandemia vão além dos sintomas do novo coronavírus. A quarentena e a incerteza no futuro também provocam reações no corpo, como insônia, depressão e ansiedade. Por isso, o Conselho Nacional de Saúde sugeriu as PICs (Práticas Integrativas e Complementares) como forma de enfrentar essas decorrências e manter o bem-estar físico e mental nesta época de crise. A acupuntura é uma delas.


Segundo Ricardo Morad Bassetto, médico especialista em acupuntura do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo, apesar ser usada para lidar com a cefaleia, problemas respiratórios e anti-inflamatórios –característicos em gripes e resfriados–, a acupuntura não é a cura para o vírus, mas, principalmente, um auxílio para minimizar as implicações geradas pelo “novo normal”.


“Em tempos de covid-19 e isolamento social, adquire relevância a indicação da acupuntura no tratamento das dores crônicas, agravadas pelo trabalho em casa e pelo sedentarismo, e no controle necessário das consequências do estresse crônico, prolongado, decorrente da própria situação de risco epidêmico e das preocupações sociais e econômicas, de grande potencial patogênico”, explica Bassetto.


Disponíveis no SUS (Sistema Único de Saúde) desde 2006, as PICs são oferecidas gratuitamente ao público, entre elas a acupuntura (veja lista completa abaixo). O Brasil é referência mundial na área de práticas integrativas e complementares.


Em entrevista, Bassetto falou sobre as vantagens e os cuidados desse ramo da medicina tradicional chinesa durante a pandemia:


Como fazer a sessão de forma segura em meio ao alastramento da covid-19?


Todos os cuidados de etiqueta higiênica devem ser redobrados. A higienização das mãos e das superfícies de contato no local devem ser frequentes e para cada atendimento. O uso de máscara é mandatório, tanto para os profissionais (máscaras cirúrgicas triplas associadas ao “face shield” ou máscaras N92 ou PFF-2 e óculos) como para os pacientes (pode ser de tecido, lavável, mas bem ajustada). Os horários devem ser marcados com espaçamento suficiente para realização da higienização e para evitar aglomeração na sala de espera.


Aqueles pacientes dos grupos de risco devem ser orientados a procurar o tratamento quando este for essencial e a possibilidade de atendimento domiciliar pode ser aventada.


Qual é a melhor forma de ser feita?


Como comentado acima, o que chamamos de acupuntura no Ocidente corresponde a uma variedade de formas de estímulo (agulhas, moxa, laser, auriculoacupuntura, ventosas, eletroacupuntura) que não necessariamente inclui o uso de agulhas. Contudo, cada uma dessas formas tem sua especificidade, alcance e indicação. Cabe ao médico, conforme diagnóstico e aplicabilidade, o que inclui considerar o conforto do paciente, escolher o melhor método para cada situação, baseando-se no conhecimento adquirido em sua formação, na experiência acumulada e, cada vez mais, nas evidências científicas.


É melhor que as sessões sejam feitas em domicílio?


Sobre isso devemos fazer algumas considerações. A classificação do paciente segundo maior ou menor risco para a covid-19, junto aos cuidados de higiene e proteção em ambiente domiciliar em comparação ao ambiente da clínica ou ambulatório de atendimento, deve ser levado em conta.


Em situações ideais de higiene, equipamentos de proteção individuais (EPIs) adequados e ergonomia para aplicação, o atendimento domiciliar de pacientes de maior risco e com dificuldade de mobilidade pode ser uma boa opção.


Em quanto tempo os resultados são alcançados?


Nas doenças agudas, o controle sintomático costuma ser imediato, mas pode ser de curta ou média duração, conforme a doença de base que originou os sintomas. Ou seja, depende do diagnóstico. Em algumas situações, como uma dor de surgimento recente, relacionada, por exemplo, com uma contratura muscular, o resultado imediato da aplicação pode ser resolutivo, não precisando de mais sessões.


Nas doenças crônicas, não podemos falar em cura mas, outrossim, falamos em controle de sintomas, melhoras funcionais e na qualidade de vida que podem ser mais ou menos duradouros, também a depender da natureza da enfermidade. Em alguns casos crônicos, pacientes chegam a referir manutenção da melhora alcançada com o tratamento até um ano após sua interrupção.


Fonte: Catraca Livre

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