A singular condição de Karen Byrne, a mulher que era 'atacada' por sua mão esquerda



A norte-americana Karen Byrne sofria de epilepsia, uma doença que causa convulsões, desde os dez anos de idade. Então, aos 27, ela se submeteu a uma cirurgia que tinha por objetivo curá-la do problema com o qual sofrera por tantos anos.


Todavia, assim que a mulher acordou da operação, que havia sido um sucesso, ficou claro que ela estava passando por um 'efeito colateral' inesperado.


Karen não mais tinha epilepsia, porém havia desenvolvido Síndrome da Mão Alheia, uma condição rara em que aquele que sofre dela não consegue controlar uma de suas mãos, que parece tomar decisões espontâneas, como se tivesse vida própria.


A síndrome tem consequências inconvenientes para quem a possui, e acabou fazendo com que a mulher fosse frequentemente atacada pela própria mão, sendo estapeada até o rosto ficar inchado em certas ocasiões.

A condição


A estadunidense estava na sala pós-operatória tendo uma conversa com o médico que a havia operado, o doutor O’Connor, quando o homem notou um comportamento incomum, que não demorou para apontar para sua paciente, uma vez que ela não parecia estar consciente dele.

Karen, o que você está fazendo? Sua mão está despindo você”, disse ele, segundo divulgado pela BBC, que cobriu a história da mulher.


Byrne olhou para baixo para descobrir, com surpresa, que sua mão esquerda abria os botões de sua camisa. “Então, comecei a reabotoar com a mão direita e, assim que parei, a mão esquerda começou a desabotoá-los”, explicou ela.


Ao perceber que a norte-americana não conseguia controlar seus membros como antes, o médico rapidamente fez uma ligação de emergência para que outros profissionais pudessem avaliar a situação. “Mike, você tem que vir aqui direito embora, temos um problema”, teria dito ele, segundo lembrava Karen.


Não demorou para que os médicos do hospital percebessem que lidavam com um caso de 'Síndrome da Mão Alheia'.


A causa


A cirurgia que cura epilepsia identifica uma estrutura chamada “corpo caloso”, localizada na área que liga o hemisfério direito do cérebro ao esquerdo. Em seguida, essa estrutura é cortada.

Embora seja esperado o surgimento de algumas mudanças na maneira como os pacientes vivem sua vida após a operação, em geral não existe efeitos grandiosos e visíveis para os outros.

O caso de Karen, evidentemente, foi uma exceção.


Conforme divulgado pela BBC em 2011, a explicação científica por trás da situação parte do fato que, em situações normais, o hemisfério esquerdo do cérebro controla o braço e perna do lado direito, enquanto o hemisfério direito controla os membros do lado esquerdo. No caso de uma cirurgia cortando o corpo caloso, uma dessas porções do cérebro toma o controle da outra.


Todavia, o que ocorreu com Byrne é que os dois hemisférios de seu cérebro começaram a ter uma disputa de poder, sem que um naturalmente se submetesse ao outro, como era esperado. Por esse motivo, sua mão passou a se movimentar de forma involuntária.


Sua nova vida, agora sem ter que lidar com a epilepsia, mas sim com outro problema, trouxe diversos desafios.


"Eu acendia um cigarro, equilibrava em um cinzeiro, e então minha mão esquerda se esticava e o apagava. Ela também tirava coisas da minha bolsa quando eu estava fora de casa. Eu não percebia e ia embora como se nada tivesse acontecido. Perdi várias coisas antes de perceber que isso estava acontecendo", contou Karen em entrevista para a BBC.


Felizmente, em 2011, após Bryne sofrer por 18 anos com a Síndrome da Mão Alheia, os médicos que a tratavam foram capazes de encontrar uma medicação que devolveu seu controle da mão esquerda, permitindo que voltasse a ter uma vida normal.


Fonte: Aventuras na História

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