A história emocionante do médico que faleceu ao adiar aposentadoria e tratar pacientes com covid-19



A história de James Mahoney emocionou o mundo ainda no primeiro semestre deste ano. O médico de Nova York escolheu deixar sua aposentadoria para depois, quando a crise do coronavírus estourou nos Estados Unidos.


O país, que é o mais afetado pela pandemia em todo o mundo – com mais de 18 milhões de infecções e 325 mil mortes pela doença – teve um primeiro pico da pandemia entre abril e maio. Aos 62 anos, Mahoney se recusou a deixar a linha de frente, como outros colegas que, assim como ele, faziam parte do grupo de risco para complicações da Covid-19. Ele acabou morrendo depois de ter se infectado com o coronavírus. "Essa era sua vocação, ele adorava cuidar das pessoas", disse Ryan, filho de Mahoney. "Ele morreu fazendo o que amava. Eu tenho paz em saber disso."

Em entrevista à rede ABC, Ryan conta que foi, por conta do pai, que decidiu ele mesmo estudar medicina: “Ele era meu herói”. Preocupação com o outro Stephanie, filha do médico nova-iorquino, disse que seu pai sempre colocava a vida das outras pessoas acima da sua própria. À televisão americana, ela contou que, mesmo em seus últimos momentos, o pai tentava passar tranquilidade à família. "Mesmo em seus últimos dias, ele nos enviava mensagens de texto”, disse Stephanie. “Vocês estão bem?", foi a uma das últimas recebidas pelo celular, quando o pai já estava em isolamento.

Por conta das restrições impostas pelos protocolos de saúde do país, familiares não puderam se aproximar para uma última despedida. Mas Mahoney não esteve sozinho: colegas de trabalho e alunos estiveram ao seu lado, mesmo depois de internado. "Eu o visitei, segurei sua mão”, disse Robert Foronjy, que trabalhava há décadas ao lado de Mahoney. "Ele sabia o quanto eu o amava. E ele sabia o quanto todos aqui o amavam." População vulnerável Mahoney era um dos principais médicos do Hospital da Universidade do Estado de Nova York, no Brooklyn, além de ser pesquisador da instituição, como especialista em doenças respiratórias.

O hospital público atende principalmente a pacientes de populações mais vulneráveis – em sua maioria negra e pobre – e já operava com a equipe reduzida por conta de afastamentos no início da pandemia.

“Ele trabalhou na linha de frente até o fim”, disse o irmão de Mahoney, Melvin, ao jornal “The New York Times”.

Diagnosticado com Covid-19, ele se tornou paciente no hospital em que passou 40 anos de sua vida. Internado na urgência com dificuldades para respirar, ele acabou morrendo por complicações da doença. Legado de Mahoney Depois da morte do especialista, a instituição decidiu criar uma bolsa de financiamento estudantil para fazer com que o ex-professor da instituição pudesse continuar com seu legado ajudando as pessoas.

Uma campanha liderada pelo médico Foronjy já arrecadou mais de US$ 75 mil (cerca de R$ 378 mil) para financiar estudantes negros da faculdade de medicina da Universidade do Estado de Nova York.

“A educação foi importante para o doutor Mahoney e este fundo é um tributo adequado ao seu legado de ensino e orientação aqui em nossa instituição”, diz a campanha da plataforma de arrecadação GoFundMe. Nos EUA, mesmo universidades públicas podem cobrar uma matrícula dos alunos anualmente. A taxa, que é chamada “tuition” pode dificultar o acesso de estudantes pobres.


Fonte: G1

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