#ÉFakeNews? | Cloroquina foi recomendada em 1918 como tratamento contra a gripe espanhola?



Circula pelas redes sociais um anúncio antigo de chloro quinina para cura da gripe espanhola. A imagem é usada em mensagens que defendem o uso da cloroquina para tratamento da Covid-19. O texto diz que o medicamento já era usado em 1918 e era eficaz. É #FAKE.

Uma busca reversa na imagem do anúncio leva a um artigo publicado na coluna do jornalista Ancelmo Goes, de O Globo, que faz referência ao livro "A bailarina da morte: a gripe espanhola no Brasil", de Lilia Schwarcz e Heloisa Murgel.

A obra destaca em sua apresentação que "disputas políticas e atitudes negacionistas de médicos e governantes potencializaram o massacre" promovido pela gripe espanhola, que chegou ao Brasil no início do século 20 e vitimou sobretudo os pobres. "Iludida por estatísticas maquiadas e falsas curas milagrosas, a população ficou à mercê do vírus até o súbito declínio da epidemia, no começo de 1919."

O livro conta que, em 1918, uma farmácia de Belo Horizonte veiculou o anúncio de chloroquinino contra a gripe epidêmica, sem nenhuma comprovação científica de sua eficácia, porém. Compostos diferentes A assessoria técnica do Conselho Federal de Química (CFC) ressalta que chloro quinino e cloroquina são compostos diferentes. "Por meio da análise dos dados é possível afirmar que quimicamente os compostos são diferentes", diz o documento. O quadro explica que o chloroquinino (cloridrato de quinina ou hidrocloreto de quinina dihidratado ) tem origem natural (cascas da árvore chinchona officinalis) e foi descoberto em 1820.

Já cloroquina (ou fosfato de cloroquina ou Difosfato de cloroquina) só foi sintetizada em 1934. Como se vê, é impossível que a cloroquina tenha sido usada contra a gripe espanhola em 1918, como alega a mensagem falsa, simplesmente porque naquele ano o composto nem sequer havia sido desenvolvido ainda. "A cloroquinina era usada há muito tempo. Mas não há nenhuma evidência de que ela foi eficaz para tratar a gripe espanhola. Então isso é muito mais do uso popular mesmo do que algo que foi amplamente recomendado na época", diz o coordenador do curso de farmácia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), Leandro Medeiros.

"A droga cloroquina foi descoberta por volta dos anos 40 para malária. Depois, novos agentes antimalária foram surgindo e ela foi deixada de lado. Tempos depois, surge a hidroxicloroquina, em 1955. A hidroxicloroquina deriva da cloroquina. Já a cloroquinina era uma outra substância que também faz parte da mesma família química, mas que realmente não tem nenhuma evidência de benefício. A cloroquinina é uma substância que tem alguns estudos in vitro avaliando as propriedades, por exemplo, antimicrobiana, até para malária também, mas realmente não tem nada confirmado em relação a ela", complementa.


Fonte: G1

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