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É possível sofrer decapitação e ainda sobreviver? Entenda os casos de disjunção craniocervical



Médicos do Centro Médico Hadassah, em Jerusalém, afirmam ter conduzido uma rara cirurgia que salvou a vida de um adolescente palestino de 12 anos, vítima de um atropelamento enquanto andava de bicicleta. O caso ganhou repercussão por ter sido anunciado pelo centro médico como uma "decapitação interna".


Os profissionais não detalharam o trauma, mas a lesão sofrida por Suleiman Hassan pode ter sido de fato uma "dissociação craniocervical ou occipitocervical". No Brasil, o termo técnico mais usado é a "disjunção craniocervical". Vale lembrar que não há chance de sobreviver a uma decapitação de fato, já que o termo é usado para indicar a separação total do crânio da base do corpo e envolve o corte do suprimento de sangue e ligação dos nervos. Entretanto, na "dissociação occipitocervical", os ossos e os ligamentos que unem o crânio à coluna vertebral sofrem uma perda completa do alinhamento normal, uma luxação, mas o crânio não é completamente separado do corpo. No caso craniocervical ocorre uma separação ou desconexão completa entre o crânio e a coluna cervical.

"Geralmente, quando há ruptura da parte neurológica, o paciente fica tetraplégico. (Quando há ruptura da) parte vascular, pode morrer, que é o mais comum: essa lesão é fatal na grande na maior parte das vezes", explica o especialista Francisco Sampaio Jr., neurocirurgião do hospital Sírio-Libanês. "Quando a ruptura é apenas óssea e ligamentar, com manutenção das estruturas vasculares e neurológicas, então ela pode ter tratamento. Inclusive, pode não deixar nenhum tipo de sequela", explica Francisco Sampaio Jr. Na situação de Suleiman Hassan, após ser atropelado de bicicleta, ele foi imediatamente transportado de helicóptero para a unidade de trauma do hospital. A cirurgia, realizada no início de junho, durou várias horas e exigiu o uso de placas e fixações na área atingida.

Apesar da complexidade da cirurgia, Suleiman teve um resultado positivo. De acordo com comunicado do hospital, atualmente, ele não apresenta déficits neurológicos, disfunção sensorial ou motora, e consegue levar uma vida normal, caminhando sem a necessidade de auxílio. Traumas raros, mas não inéditos Um caso de "dissociação craniocervical" foi relatado em artigo de 2021 no "International Journal of Surgery": um paciente de 25 anos que sofreu a dissociação após um acidente de carro. O paciente apresentava perda de consciência, paralisia e dificuldade para respirar.

Ele foi submetido a uma cirurgia para restaurar a estabilidade da coluna cervical e remover um coágulo de sangue do cérebro. O paciente se recuperou completamente da lesão e foi capaz de retornar à sua vida normal. Entenda em detalhes o que é uma dissociação cervical:

  • O que é? A disjunção é uma lesão rara e grave da coluna cervical, que é a parte da coluna que conecta o crânio à parte superior da coluna vertebral. Essa lesão ocorre quando os ossos e os ligamentos que unem o crânio à coluna cervical são rompidos, fazendo com que o crânio se separe da coluna vertebral.

  • O que diferencia uma disjunção de uma decapitação? A dissociação cervical é diferente da decapitação, que é a separação completa do crânio do resto do corpo. Na dissociação, os ossos e os ligamentos que unem o crânio à coluna vertebral são rompidos, mas o crânio não é completamente separado do corpo.

  • Em quais situações esse trauma costuma ocorrer e qual a incidência conhecida? A dissociação ou disjunção pode ocorrer em acidentes de trânsito, quedas de grandes alturas e atividades esportivas de contato.

  • Qual o tipo de intervenção cirúrgica é utilizado para tentar salvar o paciente? O tratamento da dissociação é cirúrgico. O objetivo é restaurar a estabilidade da coluna cervical e impedir que o crânio se separe ainda mais da coluna vertebral. A cirurgia pode envolver a fixação dos ossos da coluna cervical com pinos, parafusos ou placas de metal.

O prognóstico é variável. Alguns pacientes podem se recuperar completamente da lesão, enquanto outros podem ter sequelas permanentes, como paralisia, perda de sensibilidade ou dificuldade para respirar. O prognóstico depende da gravidade da lesão, da idade do paciente e do tempo que ele demorou para receber atendimento médico.


Fonte: G1

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